Virou epidemia: CPI da Enel ouve enxurrada de reclamações em Pires do Rio

A 27ª audiência pública realizada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades dos serviços prestados pela concessionária italiana Enel foi realizada no auditório da Câmara Municipal de Pires do Rio, sob o comando do relator do colegiado, deputado Cairo Salim (Pros), com participação do deputado Alysson Lima (Republicanos).

Dentre as autoridades locais, marcaram presença os vereadores por Pires do Rio José Tavares (PTN), Willian Carneiro (PMDB), Irmã Ilídia (PSD), Amélia Móveis (PSD), Denilson Castro (PSDB) e a presidente Lorena do Vôlei (PSL); o vice-prefeito Cabo Araújo, representando a prefeita Cleide Veloso (Proguessistas); e vereador por Cristalina, Doutor Osório.

Na abertura do encontro, Cairo Salim comentou que o processo de investigação da CPI está chegando ao fim e, segundo ele, seu relatório conterá muitas das denúncias colhidas durante as audiências realizadas em todas as regiões do estado. “Estamos completando as investigações da CPI da Enel, já percorremos todas as regiões do estado, o que nos permitiu fazer um raio-x do cenário que a Enel construiu em Goiás”, afirmou o relator.

Alysson Lima falou do clamor popular em relação aos abusos cometidos pela Enel nos últimos três anos em Goiás. “Fui um dos propositores desta CPI na Assembleia Legislativa de Goiás e além da CPI, impetramos uma ação civil pública no Ministério Público Federal. Ou a Enel melhora os serviços em, no máximo seis meses, ou sai fora. O povo goiano cansou de ser enganado e não quer mais essa empresa que não cumpre acordos, nem contratos”, reafirmou o parlamentar.

O parlamentar disse que a Enel faz uma atividade “criminosa” e que os deputados estão trabalhando em defesa da população. “Estamos aqui para denunciar. Nós deputados, não fomos corrompidos pela Enel, eles tentaram, mas não conseguiram comprar nosso trabalho, nem silenciar nossa voz. Por isso, faremos a voz de vocês ecoar através da CPI”, concluiu.

Presidente da Câmara Municipal de Pires do Rio, a vereadora Lorena do Vôlei (PSL),  compartilha da opinião do deputado Alysson. “A gente faz diferença quando ouvimos as necessidades da população e trabalhamos em defesa da maioria. Precisamos unir forças e construir um exército na luta por nossos direitos contra a Enel. Por isso estamos aqui para vos à população piresina”, ressaltou.

Da plateia, a jovem Adriana Nogueira, moradora do Bairro Mosaico, [o mais antigo da cidade] participou da audiência para representar os mais de 200 moradores do setor onde vive. “Falta respeito com a população. Semana passada ficamos quatro dias sem energia e nesta semana foram mais três dias no escuro. São pessoas carentes que estão comendo arroz e feijão porque perderam a compra do mês e agora passam dificuldades por consequência do péssimo serviço da Enel. Quem vai arcar com esse prejuízo? Porque a Enel não ressarciu nenhum de nós?”, indagou Adriana.

A Enel tem sido apontada como a pior empresa do Brasil, ocupando a 27ª posição no ranking da Agência Nacional de Energia Elétricca (Aneel), levantando a indignação e a impaciência da sociedade. “Sou vereador, produtor rural e técnico expansionista de área na (empresa) Friato. Meu trabalho me permite acompanhar de perto o desserviço que Enel tem feito com a sociedade. Estamos comprando um produto que não chega. Tem produtor aqui que perdeu mais de 6 mil frangos, um prejuízo de 300 milhões de reais por que acabou energia. É de sentar e chorar, ver a força do seu trabalho desaparecer no escuro”, relatou o vereador Denilson Castro.

O produtor Valmir Santos Fernandes confirma o relato do vereador ao  em sua pinformar prejuízos em sua propriedade. “Em um ano, comprei três bombas de poço artesiano porque a energia não chega com 220 volts, como é cobrado no talão de energia. Já fiquei até 72 horas sem energia. Se não tivesse gerador, teria perdido mais de 10 mil frangos”, completou.

“Tenho pavor do nome Enel, que por conta de um fusível deixa a população até 12 horas sem energia, isso acontece quase todos os dias na minha rua. Além disso, tenho uma casa fechada em outro bairro e estou pagando quase 50 reais de energia onde não tem consumo. Quero a Enel longe de Goiás”, protestou a funcionária pública Adriana Luciana.

Para concluir, Cairo Salim informou aos presentes que o projeto de encampação da Enel foi aprovado ontem na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) e afirmou que assim que for aprovada em Plenário, uma grande briga judicial dará início ao processo rescisão contratual de venda da Celg. Ele reforçou o compromisso do Parlamento goiano em resolver o problema. “Ou eles entram nos eixos do contrato ou perderão a concessão do fornecimento de energia elétrica em Goiás. Sem o relato e a experiência vivida por vocês, a CPI não faria sentido. A gente quer respeito, e caberá ao Governo do Estado encontrar um novo caminho para oferecer o serviço com qualidade e preço justo ao povo goiano”, concluiu.