ESPECIAL Eleições 2020: apoio de Caiado será tóxico nas campanhas para prefeito em Goiás

O Goiás24Horas ouviu trés publicitários e três marqueteiros com larga experiência sobre quais serão os principais cabos eleitorais em Goiás na disputa para prefeito.

Nomes como os de Daniel Vilela, Lissauer Vieira, Marconi Perillo apareceram com destaque nas listas dos influenciadores políticos nas campanhas eleitorais.

Houve, porém, uma unanimidade negativa: o governador Ronaldo Caiado (DEM). “Caiado queimou o filme. Seu apoio será tóxico e ninguém vai querer tê-lo por perto na campanha porque com certeza vai tirar voto”, disse um marqueteiro, que teve a concordância geral.

Por quê Caiado virou cabo eleitoral tóxico na próxima disputa eleitoral? Os entrevistados, que pediram para não ter seus nomes citados para evitar represálias, apresentaram os motivos:1. O combate à pandemia do novo coronavírus transformou Caiado em ditador e cristalizou a imagem de coronel em Goiás. Caiado é apontado com arrogante e autoritário. A quarentena decretada é vista como causa do desempego da quebradeira das empresas – e não resolveu nada: Goiás tem a menor taxa de isolamento social do país em sinal desobediência civil ao decreto de restrições do governo estadual.

2. Caiado ficou com a pecha de oportunista e traidor ao romper com o presidente Jair Bolsonaro. O “capitão” tem em Goiás um eleitorado fiel e agressivo, que não perdoará jamais o governador. O sinal da ruptura pode ser sentido no grau de ojeriza dos simpatizantes de Bolsonaro nas redes sociais, onde Caiado é xingado e apanha sem dó. A frase dita pelo governador na Praça Cívica – “Eu não preciso do seu voto.” – corre de boca e boca e será mote na campanha municipal.

3. Com a gestão paralisada e sem investimentos, Caiado não levou obras e benefícios aos municípios. As rodovias estão estão cheias de buracos. Os apoiadores caiadistas nos municípios são cobrados pelas promessas feiras na campanha e não cumpridas por Caiado no governo. Para piorar, ele nunca mais deu as caras nos municípios e não recebe deputados, prefeitos e lideranças no palácio.

4. Para fazer o ajuste fiscal no governo, Caiado promoveu cortes na máquina pública e comprou briga com os servidores públicos, que perderam conquistas históricas como o quinquênio e a licença prêmio. De quebra, o governador ainda aumentou o desconto previdenciário dos aposentados e pensionistas. Tudo isso sem contar o imperdoável atraso de sete meses do pagamento de dezembro de 2019. O arrocho aos servidores será cobrado com juros e correção monetária nas urnas,.

5. Caiado entrou em atrito com empresários na questão dos incentivos fiscais, montou CPI contra as grandes empresas na Assembleia e aumentou para 15% a contribuição ao Fundo Protege. Criou uma área de atrito gigantesca com a parte mais expressiva e articulada do PIB de goiano. Isso não ficará impune tanto em 2020 como em 2002. Fieg, Fecomércio, Adial e Fórum Empresarial aguardam a hora para se vingar de Caiado.
A conclusão é que, na maioria das cidades de Goiás, até mesmo a simples menção ao nome de Caiado terá um peso muito negativo na campanha eleitoral. Ao que tudo indica, o caiadismo virou canoa furada: quem estiver nela, corre o sério risco de morrer afogado no pleito municipal.