Com alta testagem e monitoramento da Covid-19, Aparecida reduz índice de letalidade em 32%, diz estudo de revista internacional

Um estudo publicado no último 24 de julho por uma das mais prestigiadas revistas científicas do mundo, a britânica Nature, aponta que as estratégias de enfrentamento à pandemia do Coronavírus em Aparecida de Goiânia são as mais adequadas para reduzir mortes. Segundo a publicação, a realização de um teste para Covid-19 a cada 100 pessoas está associada à redução de 8% na taxa de mortalidade pela doença, principalmente se aliada à oferta suficiente de leitos hospitalares específicos, dentre outras ações. Em Aparecida de Goiânia, o índice de testagem é pelo menos quatro vezes superior ao apontado pela revista, o que resultaria em uma redução de 32% da letalidade.

A lógica aplicada também leva em consideração a criação dos 240 leitos hospitalares específicos para tratamento da Covid-19 realizada pela Prefeitura nos últimos cinco meses, além das ações de monitoramento com a Central de Telemedicina, a oferta rotineira de exames para pessoas do grupo de risco e o empréstimo de oxímetros, dentre outras. “Com essa estratégia, tal como destacada pela Nature, Aparecida de Goiânia conseguiu manter sua taxa de mortalidade bem abaixo da média nacional: 1,51%, ao passo que o Brasil apresenta 3,33%”, afirma o secretário de Saúde, Alessandro Magalhães. Os dados apresentados pelo gestor são referentes a um levantamento realizado no último domingo, 09 de julho.

Testar, monitorar e cuidar

O secretário lembra que Aparecida de Goiânia é campeã de testagem pública para Covid-19 no Estado de Goiás. Com 63.372 exames somente do tipo RT-PCR realizados até este domingo, 9 de julho, a cidade testou 10,9% dos 578.179 moradores locais, alcançando um índice de testagem que é mais que o triplo do Estado (2,61%) e do País (2,53%). “Já realizamos, desde 22 de abril, mais de 60 mil exames do tipo RT-PCR, o melhor existente no mercado mundial, com média diária de 1.000 pessoas testadas. A iniciativa segue diretrizes da OMS e se baseia na experiência de países como Alemanha, Coréia do Sul, Reino Unido e Singapura, que testam, em média, mais de 18 mil habitantes por cada grupo de 100 mil. Aparecida testa cerca de 6.847 habitantes por cada grupo de 100 mil”, completa.

Alessandro Magalhães relata ainda que “ao mesmo tempo, estruturamos cerca de 240 leitos específicos para Covid-19, sendo 130 de UTI. Além disso, os pacientes aparecidenses necessitam menos de internação devido ao diagnóstico precoce e ao monitoramento por telemedicina, inclusive com exames seriados para avaliar a gravidade e oxímetros emprestados pelo município. Enquanto dados regionais, nacionais e internacionais apontam que até 17% dos pacientes com a doença necessitam de internação, e, destes, 5% são internados em UTI, em Aparecida 4,25% necessitaram de internação e apenas 2,25% foram internados em UTI”.

 

O secretário, que também preside o Comitê Municipal de Prevenção e Enfrentamento ao Coronavírus em Aparecida, observa que o estudo da Nature, comparado aos números locais, demonstra que a cidade reduziu sua taxa de mortalidade por Covid-19 em 32%. “Além disso, havia uma perspectiva desenhada pela Universidade Federal de Goiás (UFG) que previa, para o final de julho, 600 óbitos no município. Porém, a cidade fechou o mês com cerca de 160 mortes causadas pela doença. Não é pouco, mas é muito menos do que poderia ser, de acordo com essa previsão”, avalia o gestor.

Outro dado positivo que chama a atenção é relativo à mortalidade por Covid-19 nos leitos de UTI do Hospital Municipal (HMAP), uma das menores do País. Na unidade, que é referência regional no tratamento hospitalar contra o Coronavírus e conta com Telemedicina do Hospital Sírio-Libanês, 22,5% dos pacientes vieram a falecer, índice abaixo dos 42% relatados pela Revista Anaesthesia que fez uma revisão de 24 estudos com mais de 10.150 pacientes de UTI’s na Europa, Ásia e América do Norte.