Tayrone paga fatura de campanha e banca veto que prejudica servidores

O recém-chegado à Câmara Municipal Tayrone di Martino construiu carreira no jornalismo. Suas primeiras aparições em plenário ocorreram há mais de cinco anos, mas com o microfone na mão. Era repórter de TV de um obscuro canal cujo sinal é de curto alcance. Sempre aparentou ser mais jovem do que é, e por isso batalhou muito para conquistar credibilidade e respeito dos vereadores.

Na manhã de hoje, depois de uma ascensão meteórica que fez dele também um vereador, Tayrone pagou a fatura de sua eleição: bancou o veto do prefeito Paulo Garcia (PT) ao projeto de lei que garantiria isonomia na carga horária dos servidores municipais da Saúde. O texto original previa que uma parcela dos funcionários passasse a cumprir carga horária de 20 horas semanais, mas graças a uma emenda de Geovani Antônio (PSDB), a proposta passou a valer também para farmacêuticos. E foi aí que o Paço reagiu.

A apreciação do veto entrou em pauta na primeira sessão ordinária do ano, realizada ontem. A oposição comemorava porque havia reunido a maioria simples dos votos, necessária para derrubada do veto. Contabilizava inclusive o voto de Tayrone, eleito pelo PT. Acontece que uma manobra da líder do prefeito, Célia Valadão (PMDB), esvaziou o plenário e provocou o adiamento do debate por falta de quórum.

Na madrugada de terça para quarta-feira, muita coisa ocorreu. Vereadores de oposição afirmam que Paulo Garcia (PT) reuniu-se com a sua base aliada e convenceu, um por um, a votar em favor do seu interesse. Tayrone, pressionado, mudou de ideia. Na manhã de hoje, foi duramente criticado pelos colegas. Exigiam dele que tivesse coerência, que tivesse lado. “Ninguém é obrigado a votar a favor ou contra qualquer projeto. Mas tem que assumir posição”, afirmou o vereador Pedro Azulão Júnior (PSB). “Infelizmente lidamos aqui com pessoas que não tem palavra”, lamentou Geovani.

Tayrone, ainda como jornalista de um canal de TV de parca audiência, conseguiu uma vaga na assessoria de imprensa da basílica do Divino Pai Eterno, em Trindade. Com o perdão do trocadilho, o cargo foi a sua redenção. Barganhou um cargo de assessor de imprensa do prefeito, aproximou-se do reitor da Basílica, padre Robson, e do arcebispo de Goiânia, Dom Washington Cruz, e com habilidade costurou sua candidatura a vereador com o apoio do Paço. Foi eleito com expressiva votação.

Ontem foi o momento de pagar a fatura pela sua ascensão. E outros momentos como este virão. Tayrone disse a Geovani e Azulão, depois de provocado, que votou para defender os servidores. Errado. Votou porque devia o seu voto ao prefeito Paulo Garcia, patrono de sua eleição.