Empresária presa pela PF, identificada por F. C., é Fernanda Cardoso: foi ela que captou “investimentos” na Prefeitura de Aparecida

A “empresária” identificada pelo jornal O Popular apenas como F. C., que teve a sua prisão temporária prorrogada e continua detida na sede da Polícia Federal em Goiânia, é a pastinha Fernanda Cardoso, também encarregada de atrair clientes para a quadrilha que desviava recursos de fundos de pensão municipais – inclusive em Goiás.

A presença de Fernanda Cardoso foi registrada na ata do conselho do Fundo de Pensão dos Servidores Municipais de Aparecida, que se reuniu no dia 29 de dezembro de 2012 para decidir sobre os investimentos que seriam feitos no ano de 2013.

Ela estava acompanhada de Cristiano Lefevre, também lobista da quadrilha, que foi presidente do Ipasc, fundo de pensão dos servidores da Prefeitura de Catalão, na gestão do prefeito Velomar Rios, do PMDB.

Tanto Catalão como Aparecida realizaram investimentos em papeis podres fornecidos pela quadrilha.

Aparecida investiu R$ 9 milhões em fundos podres que, na data do investimento, já estavam declarados pela Comissão de Valores Mobiliários como em processo de perdas. O inquérito da Polícia Federal, no curso da Operação Miqueias, que desbaratou a quadrilha, afirma categoricamente que a aplicação foi feita “a mando da organização criminosa”.

Os R$ 9 milhões foram transferidos do fundo de pensão da Prefeitura de Aparecida para o Adinvest Top Renda Fixa, que de top não tem nada e na data da aplicação já estava condenado pela CVM.

Os prejuízos para o fundo de pensão de Aparecida são, segundo a PF, milionários. As fraudes praticadas também são gritantes, entre elas a falsificação de dados em um relatório encaminhado às autoridades previdenciárias, onde os investimentos no fundo Adinvest foram citados pela Prefeitura de Aparecida como se tivessem sido feitos no Bradesco – esta, sim, uma aplicação realmente segura.