• A tacada de Kassab
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, joga na direita para colher na esquerda. Isso é genial! Enquanto muitos esperavam um movimento mais alinhado ao campo conservador, o resultado prático foi outro: a candidatura de Caiado beneficia diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Kassab tem o que barganhar no mercado e passa a ser o homem que colocou uma coleira na serpente e foi a feira exibir como a domina.
• Caiado não tira voto da esquerda
O raciocínio é simples: Caiado não cresce sobre o eleitorado de esquerda. Ao contrário, quando aparece “feito besta fera”, “blasfemando” contra Lula, o PT e movimentos sociais, ele reforça um discurso que já é conhecido há décadas. É mais do mesmo. Não tira um voto da esquerda, mas anima uma ala da direita que já tem preferência definida.
• Atinge Flávio Bolsonaro
É aqui que entra o ponto central. Esse eleitor que vibra com Caiado é o mesmo que poderia estar com Flávio Bolsonaro. Ou seja, Caiado não cresce — ele divide. É usado como “boi de piranha” dentro da própria direita, para salvar a esquerda.
Enquanto todos estão atentos à “bola no nariz da foca” — com Caiado no centro do palco, batendo palminhas, fazendo barulho, discursos e gestos — Kassab opera nos bastidores.
• PSD segue com Lula nos estados
Na verdade o PT não perde nada com Kassab. Governadores e lideranças do PSD que apoiam Lula vão continuar apoiando. Raquel Lyra no Pernambuco, por exemplo, diz que está focada na parceria com Lula e tem liberdade para escolher. Na Bahia, sob liderança do senador Otto Alencar, o apoio ao PT é declarado. No Sudeste, Eduardo Paes, ex-prefeito do Rio de Janeiro, também mantém proximidade com o Planalto. E assim por diante.
• Kassab rompeu com quem: direita ou esquerda?
Rompeu com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a ponto de perder o vice-governador Felício Ramuth, que está indo de mala e cuia ao MDB. Kassab não rompeu com Lula (PT) e manteve os ministérios. As cartas estão na mesa.
Cristiano Silva
Editor

















