• Foi mesmo desacato?
A pergunta precisa ser feita: falar virou crime? O vereador Fabrício Rosa foi preso nesta sexta-feira (17) pela Polícia Militar de Goiás durante uma manifestação em memória ao massacre de Eldorado dos Carajás, em Santa Helena de Goiás.
Policiais montaram uma barreira na rodovia e impediram a passagem do vereador, que também é policial rodoviário federal. Ao registrar a situação em vídeo e fazer críticas à atuação de agentes que, segundo ele, mancham a corporação, recebeu voz de prisão.
• Caso semelhante
O episódio não é isolado. Nesta mesma semana, em Cocalzinho, o delegado Christian Zilmun Mata dos Santos, da Polícia Civil de Goiás, prendeu uma advogada Áricka Rosalia Alves Cunha após críticas feitas nas redes sociais.
Os dois casos levantam uma preocupação direta: críticas a agentes públicos estão sendo tratadas como desacato?
• Delegado reclamou da falta efetivo
No próprio vídeo que circulou após o caso de Cocalzinho, o delegado mencionou falta de efetivo policial — um ponto que contraria o discurso do governo Ronaldo Caiado, que frequentemente afirma que a segurança pública está sob controle.
A atuação policial é essencial, mas precisa respeitar limites legais. Quando a crítica vira motivo de prisão, abre-se um precedente perigoso que pode atingir qualquer cidadão.
Fica o registro de solidariedade ao vereador Fabrício Rosa. E mais do que isso: a cobrança para que os fatos sejam apurados com rigor.
Porque quando a crítica passa a ser tratada como crime, não é só uma pessoa que é atingida — é o direito de todos.
Cristiano Silva
Editor

















