Balanço de cem dias: Paulo Garcia seria melhor agente de viagem do que prefeito

O drama se repete ano após ano.

Funcionários das repartições da Secretaria de Saúde da prefeitura de Goiânia, todas elas malcuidadas e cheias de mofo, registram cada vez mais casos de dengue na Capital.

Não há recorde que se sustente. Não há marca que não seja superada no ano seguinte, porque a prefeitura insiste em virar as costas para o problema e esperar que dengue se vá com o fim do período chuvoso. A epidemia arrefece, mas também arrefecem os sinais vitais de milhares de goianienses mortos por contaminação do Aedes aegypti.

A prefeitura não contrata agentes epidemiológicos. Mas não é só isso. Também não contrata médicos. É omissa e irresponsável, porque deixa amontoados, nas filas, centenas de pacientes enfermos.

É inédita a mobilização dos jornais, rádios e canais de televisão por uma causa única: a reforma imediata do sistema municipal de Saúde. Paulo Garcia e o desconhecido Fernando Machado subiram os seus pés sobre a rede de atendimento e a empurram para baixo, para dentro da lama, onde afunda passivamente desde 2005.

Em cem dias de governo, o legado de Paulo Garcia é o desgoverno. A Saúde vai mal, mas tão mal que consultórios particulares estão fazendo fortuna com os pobres na porta dos Cais. Aprenderam a se enriquecer com a inércia de Paulo Garcia. Ou, quem sabe, complacência. Esta aberração é tão grande que o dono de um destes consultórios conseguiu clientela suficiente para se eleger vereador na Capital.

Paulo deixou a epidemia de dengue se alastrar, e quando já não cabia mais o silêncio de sempre, mandou o secretário dizer que contrataria novos agentes. Mas por que a demora? Porque, segundo Fernando Machado, existe grande burocracia em contratações. Este é o mesmo argumento que usam há doze anos no mês de janeiro.

Nem criatividade para inventar desculpas novas a turma do prefeito tem.

Enquanto o mosquito da dengue despachava no quinto andar do Paço Municipal, na condição de dono da cidade, Paulo Garcia passeava no exterior. Em seus convescotes internacionais, regados a champanhe, carregava o secretário de Comunicação, Edmilson Santos, cuja cara de pau permitiu que postasse, nas redes sociais, fotos dos rega-bofes em boates latino-americanas financiadas com dinheiro público.

Paulo bateu pernas na paradisíaca cidade do Panamá e, em seguida, supõe-se que cansado, partiu para Miami. Merecido descanso para um prefeito que deixou a cidade à míngua para calçar chinelas no litoral latino. Voltou para Goiânia e, sobre a viagem, não deu um pio. Não prestou conta ou deu qualquer satisfação dos recursos ou projetos que apresentou para Goiânia no exterior.

Dessa história toda, pouca coisa de útil dá para tirar. Mas uma delas é que Paulo não serve para médico ou prefeito.

Seria, sim, um excelente agente de viagem.

Não é, Edmilson?