sábado , 31 outubro 2026
Goiânia

Adeus, Jardim Botânico: Iris dá 1° passo para destruir parque com desapropriações

Em consonância com o que desejam grandes empresas do mercado imobiliário de Goiânia, o prefeito Iris Rezende (PMDB) publicou decreto no dia 6 de setembro de 2017 que autoriza a desapropriação de uma vasta região habitada próxima ao Jardim Botânico da cidade. Foi o primeiro passo para o processo de verticalização do setor Pedro Ludovico, Vila Redenção, Jardim Santo Antônio e adjacências, o que pode causar superpovoamento destes bairros, destruição da mata preservada e danos irreparáveis ao lençol freático, a exemplo do que está ocorrendo nos parques Flamboyant e Cascavel.

A justificativa oficial da prefeitura para o decreto é a de que por ali passará a extensão da marginal Botafogo, mas não é verdade. No jamegão do prefeito Iris estão as digitais do Instituto Cidade, que é uma espécie de associação de empresas do mercado imobiliário da cidade. O que o instituto defende é a implantação de um monstrengo chamado Operação Urbana Consorciada (OUC), que em linhas gerais defende a “requalificação” do Jardim Botânico.

A OUC habita os sonhos dos barões do mercado imobiliário há algum tempo, mas foi na gestão do falecido ex-prefeito Paulo Garcia (PT) que ela ganhou força. Felizmente, graças à pressão da imprensa e de especialistas em urbanização, o projeto foi engavetado. A gaveta foi aberta porque enxergaram, no debate sobre o plano diretor, que está em curso, uma boa oportunidade de tentar emplacar a OUC do jardim Botânico mais uma vez. “Eles estão tentando inserir o entorno como área estratégica no Plano Diretor para que se possa permitir as construções na região”, diz Carol Farias, fundadora do projeto SobreUrbana, que é contrária à OUC.

O PROJETO
Entre as ambiciosas propostas da OUC, estão a construção de 500 unidades habitacionais populares, 43 parques de vizinhança, 19 km de ciclovias, polos comerciais e culturais, mudanças no trânsito e na configuração das vias (incluindo ampliar calçadas para 5 metros de largura), e a implantação de 88 mil m² de serviços públicos (escolas, postos de saúde, etc.). O resultado seria um aumento vertiginoso do adensamento urbano.

Como se trata de uma Operação Urbana Consorciada, a fonte de recursos seria apenas privada. Por isso, as construtoras, de olho na valorização que o projeto poderia dar ao Jardim Botânico, pressionam o Paço Municipal para alterar uma lei que foi aprovada em 2013, na Câmara de Goiânia, de autoria do vereador Paulo Magalhães (PSD) que proíbe a construção de prédios em um raio de 350 metros do Jardim Botânico.

A vereadora Dra. Cristina (PSDB) afirma ao jornal Opção desta semana que acontecerá uma audiência pública na próxima quinta-feira (5), na Câmara, às 14 horas, para discutir o Jardim Botânico.

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