sexta-feira , 15 maio 2026
Goiânia

Pessoas morrem todo dia por falta de gestão da prefeitura, diz promotor

Mais uma autoridade em saúde em Goiás condenou, nesta terça-feira (24/4), o caos na saúde municipal de Goiânia, comandada por Iris RezeNde (MDB), que aumenta as filas nos postos da capital, sobrecarrega as unidades hospitalares do Governo do Estado e faz crescer a relação de vidas perdidas.

O promotor Érico de Pina Cabral, do Ministério Público em Aparecida de Goiânia e ex-titular do Centro de Apoio Operacional da Saúde, afirmou nesta terça que “Goiânia organiza a saúde às custas das vidas das pessoas pobres, carentes e doentes” e que “o que a Secretaria de Saúde de Goiânia está fazendo chega a ser criminoso, porque as pessoas estão morrendo por falta de gestão, por falta de sensibilidade de quem administra os recursos e trata as pessoas”.

As declarações foram feitas durante entrevista do promotor à Rádio Bons Ventos, reproduzida pelo portal de notícias Diário de Goiás (DG) (https://goo.gl/KznPGC). “Durante entrevista na manhã desta terça-feira (24), aos jornalistas Altair Tavares, Alípio Nogueira e Emerson Vargas, pela Rádio Bons Ventos, o promotor falou sobre a falta de gestão da saúde de Goiânia e como isso afeta aos municípios do interior do estado que são pactuados com a capital. Segundo o promotor, a capital recebe os recursos dos governos federal, estadual e dos municípios, no entanto, não oferece os atendimentos e não repassa os pagamentos aos prestadores de serviços”, afirma o site do DG.

Leia, na íntegra, as graves denúncias de Érico de Pina sobre a saúde da capital:

REGULAÇÃO
“Conversando com um médico, ele me contou que como eles não recebem mais a complementação para a realização de exames, eles tiveram que parar porque o valor de R$ 30 não paga nem a manutenção do aparelho. Esse complemento foi suspenso pela Prefeitura de Goiânia, a Prefeitura de Aparecida continua pagando para os laboratórios, então lá nós temos condições de fazer exames, no entanto, não temos a oferta de determinados serviços. E a fila está aumentando, Goiânia não regula, esse sistema de software não funciona adequadamente e deixa todo mundo na mão. Para se ter uma ideia, o CRER, que é um hospital de referência, pela primeira vez, não bateu a meta de exame, porque o software designa um exame para a rede pública, um para a filantrópica e um para a privada, uma distribuição igual. Com isso, o tomógrafo fica parado porque ele não recebe exames que tem capacidade para fazer e a população na fila esperando por isso. Aqui em Goiânia têm algumas distorções que são inadmissíveis em uma situação de caos que vive a saúde. Concordo absolutamente que a regulação seja passada para o Estado. Em Aparecida, nós estamos fazendo um levantamento do que nós pagamos de pactuação para Goiânia e não estamos sendo atendidos, para nós despactuarmos. Ou vamos despactuar administrativamente, ou vamos para a Justiça. Nós não vamos pagar o que nós estamos pagando. O Ministério Público de Aparecida não vai aceitar o município pagar um monte de exames e cirurgias que a secretaria de Goiânia faz a contenção, e não regula os nossos pacientes. Ou seja, nós vamos despactuar, vamos pegar o dinheiro daqui e passar para Aparecida e comprar o serviço lá”.

PACTUAÇÃO
“Os municípios vêm direto para Goiânia comprar, então nós compramos 200 consultas cardiológicas, 100 exames renais, não sei quantas cirurgias, e Goiânia recebe esse dinheiro. Goiânia pega o dinheiro dos municípios, que nós chamamos de pactuação, mas não oferece o serviço, ninguém consegue nada aqui mais. O que acontece, por exemplo, com a UTIs: o município não paga o complemento que recebe do Governo Federal e Estadual para a UTIs, os hospitais privados retêm os leitos; que até poucos dias não tinha recebido um centavo esse ano, e eles não tem como tocar dois ou três meses sem receber. O Ministério da Saúde pega o nosso dinheiro de Aparecida e passa diretamente para o tesouro de Goiânia. O dinheiro demora 60 dias para receber. Primeiro presta-se o serviço, depois presta-se as contas, elas são auditadas e na sequência, o município paga cada prestador. Em Goiânia, o prestador faz o serviço, atende e não receber, então ele para de fazer o serviço. Quem paga por isso? As pessoas. Quando Goiânia “organiza” a saúde às custas das vidas das pessoas pobres, carentes e doentes. O que a Secretaria de Saúde de Goiânia está fazendo chega a ser criminoso, porque as pessoas estão morrendo por falta de gestão, por falta de sensibilidade de quem administra os recursos e trata as pessoas”.

Artigos relacionados

Goiânia

Greve: Escolas de Goiânia têm aulas suspensas após Mabel ignorar reivindicações de servidores

Greve Escolas municipais de Goiânia começaram a suspender as aulas nesta terça-feira...

Goiânia

Educação de Goiânia pode entrar de greve mais uma vez após meses de negociação sem avanço com Mabel

Pressão A administração do prefeito Sandro Mabel está à frente de mais...

Goiânia

Goiás violento: Briga entre vizinhos por causa de conta de água termina com 3 esfaqueados em Goiânia

Confusão Uma desavença entre vizinhos terminou com três pessoas esfaqueadas, na noite...

Goiânia

Incêndio destrói viaturas no pátio da Secretaria Municipal de Trânsito de Goiânia

Destruição Um incêndio registrado por volta das 4h desta sexta-feira (1º/5) destruiu...