Lissauer mostra desenvoltura, reforça discurso de independência e emerge como fato novo na política em Goiás

Vitorioso na corrida pelo comando da Assembleia Legislativa, o deputado Lissauer Vieira (PSB) concluiu a primeira semana como presidente da Casa atraindo a atenção geral e se constituindo como o grande fato novo na política de Goiás.

A novidade maior fica pela desenvoltura com que se conduziu nas dezenas de entrevistas que concedeu à imprensa, quando não fugiu de perguntas, adotou um tom de sinceridade e reafirmou o sentimento de independência que tomou conta de forma avassaladora do Legislativo goiano.

O novo presidente da Assembleia causa surpresa ao se revelar hábil e articulado, mas também firme e incisivo. Sabe formular teses, tem o corte moderno e surpreende ao não radicalizar em relação ao governador Ronaldo Caiado, embora faça críticas pontuais e deixe claro que não abrirá mão da autonomia da Casa.

Uma boa mostra do pensamento de Lissauer está na longa entrevista concedida aos jornalistas Euler Belém, Rodrigo Hirose e Augusto Diniz, publicada na última edição semanário Jornal Opção, que compensa ser lida.

Na entrevista, Lissauer aprofunda a visão de independência que prega no relacionamento entre a Assembleia e o governo estadual. Independência, diz ele, é respeito – e respeito, reforça, deve predominar na convivência entre os poderes.

“Muitos já falaram em independência, mas o Executivo sempre se impôs sobre a Assembleia Legislativa”, assinala, arrematando, contudo, que desta vez será diferente.

“Será diferente porque a Assembleia já deu amostra da independência no resultado das eleições da mesa diretora. O candidato do governo era outro, e os deputados seguiram firmes e conseguiram fazer uma eleição histórica no Estado de Goiás”, sublinha.

De fato, nunca houve na história de Goiás a eleição de um presidente da Assembleia como a que se consumou com Lissauer, que cresceu no vácuo deixado por sucessivas trapalhadas do Palácio das Esmeraldas. Jamais um governador sofreu tamanho revés no princípio de mandato.

Resta agora esperar para ver se o discurso de independência do novo presidente vai se tornar realidade, com o fim dos tempos de submissão do Legislativo e a instauração de uma nova ordem, inclusive com o repasse integral das verbas do duodécimo constitucional.

“Podem anotar: a Casa não será submissa ao governo”, avisa Lissauer, a mais nova, surpreendente e promissora revelação da política goiana.