Exclusivo: pacote de maldades de Caiado e pressão terrorista na PM aceleram ida de militares para a reserva

Bastaram poucas semanas de governo Caiado para a Polícia Militar em Goiás sentir na pele a mão pesada do novo administrador do Estado. Em conversas com soldados, cabos, outras patentes e comandantes, o 24Horas apurou que o clima é de total insatisfação contra Caiado; até porque a maioria da tropa o apoiou na campanha e agora se sente traída.

A previsão de redução de salários, o atraso no pagamento de dezembro, o corte de alguns benefícios e a política terrorista de cobrança no trabalho diário dos policiais tendem a acelerar o processo de migração de parte considerável da tropa para a reserva. O que causaria redução preocupante no efetivo da PM em Goiás.

Junta-se ao pacotão de maldades de Caiado a possibilidade de alterações no regime previdenciário propostas pelo presidente Jair Bolsonaro. Fato é que hoje, na polícia goiana, não há a chamada motivação da tropa. O policial mais jovem não se sente nenhum pouco estimulado quando projeta sua carreira para o futuro. E os que estão na faixa dos 40 até 50 anos vivem perspectiva ainda pior; daí a vontade de ir para a reserva ou se aposentar mais rapidamente.

A crise dos Soldados

Para se ter uma ideia, citemos o exemplo do soldado. Na campanha eleitoral, Caiado prometeu a equiparação da classe. Ou seja, passaria a existir apenas a patente de soldado, sem divisão de classe. Não foi o que aconteceu. Caiado realmente acabou com a 3ª classe, mas promovendo quem era dessa última para a segunda classe. Agora, quem acaba de ingressar nesta segunda classe precisa cumprir cinco anos de atividade para se tornar soldado de primeira classe, onde terá que trabalhar mais 5 anos para então ser promovido a cabo.

Os anos de serviços prestados na terceira classe não são contabilizados (mas uma maldade de Caiado). Assim, para ter alguma chance de se tornar cabo, um soldado que era da terceira terá que esperar 10 anos. Nem mesmo se Caiado for reeleito em 2022, ele vai conseguir promover um desses soldados. Por isso, os ex-soldados de terceira classe estão revoltados com o governador. Afirmam que foram vítimas de um verdadeiro golpe.

Porque, agora na segunda classe, eles continuam ganhando menos que os de primeira classe e vão ter que esperar 10 anos para se tornar cabo.

É muita crise para um mês e duas semanas de governo!