• Faixa e solidão
No desfile oficial de 7 de Setembro em Goiânia, o governador Ronaldo Caiado surgiu com a faixa no peito, provavelmente a última vez em que ocupará esse espaço como chefe de Estado.
Ao seu lado, estavam o vice-governador Daniel Vilela (MDB) e o prefeito Sandro Mabel (UB), em um evento esvaziado de apoio popular. O que deveria ser uma demonstração de força, reuniu poucos servidores públicos — alguns estaduais, outros municipais — sem a presença maciça da população.
• Gestão em crise
Diferente do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, colado no ex-presidente Jair Bolsonaro, Caiado ficou isolado do bolsonarismo em Goiás.
A cena dele terminou se misturando à de Sandro Mabel, que vive um dos piores momentos da sua gestão.
Goiânia sofre com a saúde em colapso, ruas abandonadas, a investigação da Câmara com a Limpa Gyn, criada para investigar a coleta de lixo e até o líder de Mabel na Câmara, Igor Franco, rompeu e denunciou irregularidades.
Essa aproximação simbólica entre Caiado e Mabel, ambos enfraquecidos, aponta para um retrato de desgaste político, que será visto pelo retrovisor em Goiás.
• Direita distante
Enquanto isso, a direita organizada se concentrou em outro ponto da capital: a Praça do Sol. Ali, bolsonaristas levantaram cartazes pedindo anistia para Jair Bolsonaro (PL), em clara contraposição ao governador.
Em momentos recentes, Caiado tropeçou em discursos — comparecendo a festas de ministros do STF e participando de eventos que desagradaram o campo bolsonarista — ficou isolado.
Para muitos, o 7 de Setembro foi uma bofetada política: em vez de se projetar como pré-candidato à Presidência, Caiado saiu abraçado apenas a Sandro Mabel, distante das bases que sustentam a direita no Brasil.
Cristiano Silva
Editor

















