sexta-feira , 6 março 2026
Opinião

Feminicídios expõem falência do combate à violência no governo de Goiás. É preciso educar quem bate em mulher

• Vidas Interrompidas

Em Itapuranga, uma mulher foi morta a golpes de tesoura e enterrada no quintal. Um dia depois, em Santa Terezinha de Goiás, Tânia Lopes dos Santos foi assassinada a tiros pelo ex-companheiro armado. Dois crimes em sequência, duas histórias de dor, duas mulheres que já não voltam.

Enquanto os feminicídios se multiplicam, o governo se limita a frases de efeito, como se bastasse expulsar o agressor de casa para resolver um problema estrutural.

• Cultura Machista

O interior goiano ainda carrega o peso de um modelo mental arcaico. Meninas são educadas para se submeter; homens, para se impor como donos. O discurso político que enaltece o macho autoritário reforça essa mentalidade doentia.

Não se trata de “cuidar dele” ou “socorrer você” após a agressão: trata-se de impedir que o ciclo da violência continue se repetindo, geração após geração.

• Punição Transformadora

Suponho que precisamos criar coragem para propor soluções novas. Na minha opinião, quem agride uma mulher deve sentir imediatamente as consequências: suspensão da CNH, apreensão de armas e obrigação de frequentar um programa de reciclagem com acompanhamento psicológico.

Imagine como seria diferente: bateu na mulher, vai para a reciclagem de modelo mental: quarenta noites de cursos, palestras, filmes e confrontos com a realidade que ele insiste em negar. Só após esse processo, o agressor poderia recuperar direitos básicos. É preciso educar.

• Caminho Necessário

Não há como vigiar cada lar com uma viatura, mas é possível mapear os agressores e impor limites claros: sanções, perda de direitos e reciclagem. Chega de medidas protetivas no papel e promessas ocas. É hora de o Legislativo assumir a responsabilidade e transformar indignação em leis estaduais voltadas a reeducação do agressor já no “primeiro tapa”. Até quando esperar pelo tiro ou a facada?

Punir e reeducar é o caminho para que outras mulheres não sejam lembradas apenas como estatísticas em um estado que insiste em naturalizar a violência.

Cristiano Silva
Editor

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