quinta-feira , 23 abril 2026
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Vaquerinho: o menino de 5 anos preso no corpo de um adulto que morreu tentando “cuidar de uma leoa”

• Um fim trágico anunciado

Gerson de Melo Machado, conhecido como Vaquerinho, morreu neste domingo (30) ao entrar na jaula de uma leoa no Parque Zoobotânico Arruda Câmara, em João Pessoa.

O jovem de 19 anos tinha a mentalidade de uma criança de 5 anos, segundo relatos do diretor do presídio onde ele esteve preso.

O caso chocou o país — não apenas pela violência da cena, mas pela história de abandono e sofrimento que o antecede.

• Sonhava ir para a África cuidar dos leões

A diretora do CAPS onde Gerson era atendido, Verônica Oliveira, afirmou que o maior sonho dele era “viajar para a África para cuidar dos leões”.

Para quem convivia com o rapaz, essa fantasia era a expressão mais pura da sua condição: ele não compreendia o risco, porque não tinha desenvolvimento cognitivo para isso.

Desde cedo, Gerson viveu em instituições. A mãe era esquizofrênica, a avó também — e ele herdou o mesmo transtorno. Os irmãos foram adotados. Ele, não. “Ninguém o quis porque tinha problema mental”.

• Uma vida inteira entre grades

Segundo o policial penal Edmilson Alves, o “Selva”, Gerson tinha 16 passagens recentes — três enquanto adolescente e seis como adulto. “Ele nunca conheceu outra vida além de prisão”, disse o diretor. Os profissionais o classificavam como “preso institucionalizado”.

“Era como o de uma criança de 5 anos. Tudo era condicionado a troca: um bombom em troca de uma ação. Funcionava como um menino. Era uma tragédia anunciada.”

• Empurrado de um lado para outro

O presídio tentava segurar o que o CAPS e a família não conseguiam. A avó recusou ficar com ele: “Não tenho condições.”

O pai também não quis. A família inteira recusou. “Era um preso que ninguém queria. Nem a sociedade.”

• Tragédia

Dias antes da morte, Gerson havia fugido do CAPS novamente. Sem estrutura familiar, sem tratamento contínuo e sem rede de apoio, transitava entre surtos, internações e prisões.

Um menino aprisionado no corpo de um homem entrou na jaula acreditando que estava cuidando de uma leoa.

A sociedade o empurrou para a cova dos leões.

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