sexta-feira , 6 março 2026
Opinião

Vice-governador em exercício do Rio é preso por favorecer o Comando Vermelho — Caiado mantém silêncio constrangedor sobre o escândalo envolvendo seu colega de partido

• Bandido do colarinho branco tem vez?

O presidente da Alerj e vice-governador em exercício do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (UB), foi preso pela Polícia Federal acusado de vazar informações sigilosas para proteger um amigo ligado ao crime organizado.

O alvo beneficiado? O deputado TH Joias, preso por tráfico, corrupção, lavagem de dinheiro e negociação de armas com o Comando Vermelho.

• O que dirá Ronaldo Caiado?

O governador de Goiás, que adora aparecer em manchetes quando se trata de “bandido pobre morto em operação”, até agora não abriu a boca sobre o escândalo dentro do próprio partido.

• A seletividade moral de Caiado

Quando o Rio de Janeiro registrou a operação policial mais letal de sua história — mais de 120 mortos na operação de setembro — Caiado foi o primeiro a aplaudir Claudio Castro. Falou grosso, bateu no peito, virou comentarista de segurança pública.

Mas agora, com um colega de partido preso por ajudar criminosos do mesmo Comando Vermelho e obstruir investigações, o discurso heroico desaparece.

• O telhado de vidro em Goiás

A hipocrisia é ainda maior quando lembramos que o governo Caiado enfrenta seus próprios escândalos envolvendo crime organizado:

-> Goiás Bioenergia — empresa que recebeu R$ 265 milhões em incentivos fiscais do governo Caiado, investigada por ligações com o PCC.

-> Café adulterado — mais de 10 toneladas vendidas ao governo, com metade do produto constituída de impurezas, possível fraude milionária.

-> Bebidas falsificadas — laboratórios estourados em Goiânia e Uruana pela Polícia em novembro.

-> Combustível adulterado — Goiás citado em investigação nacional sobre a rota financeira de postos ligados ao PCC. Além dos laboratórios de cocaína no Estado.

Caiado adora repetir o bordão “em Goiás bandido não se cria”. Mas os casos mostram outra realidade: o crime está se criando, crescendo e faturando – inclusive com contratos e incentivos oficiais.

Caiado precisa responder: vai defender o combate ao crime organizado ou vai proteger seu colega de partido? Porque moral seletiva é piada.

Cristiano Silva
Editor

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