(Exclusivo) É definitivo: jornal O Popular prepara transição para tirar impresso de circulação e ficar só na internet

Exclusivo: O Grupo Jaime Câmara (GJC) já tomou as primeiras medidas de uma ampla reforma editorial em O Popular que culminará na retirada do jornal impresso de circulação. Com o fim da edição de papel, o veículo, um dos mais tradicionais do país, ficará somente na internet.

Executivos, consultores, jornalistas e publicitários já estão trabalhando na transição editorial. O desafio é fazer os jornalistas de O Popular – muitos deles analógicos, outros tantos resistentes à mudança – a conceber e executar as pautas com a pegada e a linguagem da rede. Até hoje alguns profissionais da redação se recusam a fazer textos distintos para a internet e o impresso.

A direção evita estabelecer um prazo para a retirada do jornal de circulação. Avalia que isso impactaria o já combalido mercado de anúncios, desmotivaria os profissionais e pioraria a qualidade do conteúdo. De todo modo, O Popular antecipará em algum tempo o destino previsto para todos os demais jornais impressos, mais cedo ou mais tarde.

O fim de O Popular impressso vinha sendo estudada já há algum tempo, ainda antes das frustradas negociações da venda do grupo. Em meio às conversações com os possíveis compradores (o Grupo Zahran, de Mato Grosso do Sul), eram fortes as especulações de que o jornal poderia até ser extinto, já que há anos seguidos dá prejuízo.

Com o insucesso das negociações, O Popular voltou a ser considerado uma grande dor de cabeça para os resultados do GJC. Tanto assim que a empresa acaba de demitir funcionários da redação e da área administrativa para conter custos. Mas a conclusão foi a de que o corte com pessoal não tirará o jornal do vermelho.

A aquisição de papel e a manutenção da gráfica representam a maior fatia dos custos de produção – sempre foram, mas antes do advento da internet, as assinaturas e a publicidade impressa pagavam os custos de veículos bem administrados. A constatação de que não compensa mais imprimir um jornal praticamente sem anúncios foi o que levou a família Câmara a decidir: vai mesmo tirar o Popular do papel.