Poder Goiás: Caiado corta R$ 81 milhões anuais em taxas do Detran, mas não tem dinheiro para recuperar rodovias

Veja texto do jornalista Eduardo Horácio, publicado no site Poder Goiás: O governador Ronaldo Caiado (DEM) usou as suas redes sociais nesta terça-feira, 28, para comemorar “como um gol em favor do cidadão” a revisão no custo da vistoria veicular pelo Detran estadual. De acordo com o governador, serão economizados R$ 40 milhões por ano com a redução no valor da vistoria – dos atuais R$ 175,76 para R$ 108,00 por veículo.

Além da diminuição do valor cobrado, o governo estadual já havia eliminado a obrigatoriedade de vistoria em quatro situações, além do cancelamento da cobrança de taxa para veículos financiados. Segundo Ronaldo Caiado, essas medidas somadas levam a uma economia total de R$ 81 milhões por ano aos contribuintes. “A economia direta no bolso dos goianos que precisam do Detran já está chegando a 81 milhões. Isso é gestão séria”, comemora o governador.

Os cortes no Detran, todavia, não revelam um governo em situação fiscal saudável, com algum poder de investimento e em condição de fazer qualquer concessão à população. A situação do governo de Goiás é exatamente oposta. O governador Ronaldo Caiado, em seus discursos, lamenta o endividamento herdado, a escassez de recursos e a impossibilidade de se fazer investimentos.

Caiado fia-se em ajuda do governo federal para edição de Medida Provisória liberando parte dos recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) para, entre muitas urgências, recuperar cinco mil quilômetros de rodovias esburacadas. Vale ressaltar, se forem repassados, os recursos do FCO terão de ser quitados posteriormente (com juros e correção) pelo contribuinte.

Em solenidade recente, aliados de Ronaldo Caiado cobraram unidade aos auxiliares do atual governo. Talvez seja necessário, porém, que o próprio governador reveja seus atos e caminhe em uma única direção.

Afinal, qual sentido há no governador se abalar até Brasília quase que diariamente em busca de socorro financeiro e, ao mesmo tempo, comemorar no Twitter a redução de taxas que enfraquecem ainda mais o já combalido caixa do Estado?