PRESOS PM’s SUSPEITOS DE MATAR JOVEM E FORJAR CONFRONTO EM GOIÂNIA

Soldados e sargento da PM foram presos suspeitos de matar o estudante Thiago Rocha. DIH investiga o caso.

Três soldados e um sargento das Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam), da Polícia Militar (PM), foram presos suspeitos de matar o jovem Thiago Renato Braga, de 20 anos, e registrar a ação como confronto. O caso aconteceu no dia 18 de julho, no Residencial Felicidade, em Goiânia.

A investigação foi realizada pela Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH) e resultou nas prisões de Marcos Vinícius Martins de Lima, Mauro Roberto Ribeiro Júnior, Paulo César da Costa Santos e Carlúcio Evangelista Caiado, nos últimos dias 16 e 19 de agosto.

No relatório do pedido de prisão preventiva consta que a versão dos policiais tem “características de dissimulação”. Isso porque afirmaram que estavam em patrulhamento quando viram dois homens em atitude suspeita em uma motocicleta, que não obedeceram a ordem de parada.

Conforme os militares, durante a perseguição, Thiago, que estava na garupa da moto, saltou do veículo e começou a atirar contra a viatura. No revide, três dos militares teriam acertado o estudante. Os PMs alegam que encontraram uma mochila com drogas, duas balanças de precisão e um revólver calibre 38, que teria sido utilizada contra a equipe, próximo à vítima.

*Contradição*

Testemunhas, no entanto, contradisseram o relato dos militares. A versão dada por uma das delas é de que Thiago foi abordado pela equipe, colocado na viatura e executado com dois tiros em uma rua de terra.

Um dos rapazes ouvidos no inquérito alega que foi parado pela equipe antes da abordagem que vitimou o estudante. Na ocasião, a testemunha estava com dois outros amigos no Jardim Guanabara, quando foram levados para um lote baldio. No local, conforme o relato, foram agredidos e obrigados a confessar supostos crimes, localização de armas e possíveis comparsas.

Ainda de acordo com a testemunha, um dos policiais afirmou que portava armas para “trocar tiros” com o trio caso não falasse o nome de algum traficante da região. Foi aí que um dos homens informou o nome de Thiago para cessar as agressões e porque “não gostava do nome citado”.

Os três abordados foram colocados na viatura para localizar o estudante, que foi encontrado em uma praça do bairro, onde jogaria futebol. Depois de encontrarem Thiago, os três rapazes foram liberados pelos policiais.

*Abordagem*

Thiago estava na praça com outros três colegas. Um deles prestou depoimento e afirmou que eles haviam dado uma pausa no jogo para fumar maconha. Durante a abordagem, os policiais perguntaram o nome de ambos e quando Thiago se pronunciou, os militares teriam dito: ‘é esse, Stive”, segundo relatos da testemunha.

Em seguida, dois dos jovens foram soltos. Momentos depois, o terceiro foi liberado, restando somente Thiago. Conforme outra testemunha, o jovem foi agredido com socos e levado para uma rua de terra. Os policiais afirmaram que iriam soltar o estudante, mas que ele teria fugido após pular o muro.

Um familiar da vítima que estava no local seguiu a viatura e avisou aos pais de Thiago sobre a situação. O jovem foi levado para a estrada, lugar em que os militares disseram ter havido a troca de tiros.

No relatório, a Polícia Civil afirma que não se trata “de um simples erro, mas de uma provável e repugnante execução”. Os militares são investigados por fraude processual e denunciação caluniosa.

Ao Mais Goiás, a PC afirmou que a investigação ocorre sob sigilo e, por este motivo, não irá se pronunciar. O inquérito deve ser encerrado nos próximos dias e encaminhado ao Judiciário. A reportagem entrou em contato com a PM e aguarda retorno.

Fonte: Mais Goias