Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo: José Nelto defende presença de Moro no evento ‘Direitos, já”

O deputado federal José Nelto (Podemos) é personagem central da coluna da jornalista Mônica Bergamo, na edição da Folha de S. Paulo desta quarta-feira (24). O goiano defendeu que o ex-ministro Sergio Moro participe do evento ‘Direitos, já’, que reunirá ex-presidentes, artistas e personalidades em defesa da democracia.

Leia a íntegra do texto de Mônica Bergamo na Folha:

“O deputado federal José Nelto (Podemos-GO) defende que o ex-ministro Sergio Moro, da Justiça, participe do evento Direitos Já, que reunirá personalidades como Michel Temer, Fernando Haddad, Luciano Huck, Fernando Henrique Cardoso, José Sarney e Roberto Freire em um comício virtual em defesa da democracia.

Organizadores do evento não convidaram Moro porque ele enfrenta resistência de alguns dos participantes.

“É claro que Moro tem que entrar. Ele é um cidadão brasileiro e nada pesa contra ele. Nunca se insurgiu contra a democracia. É um homem que teve uma coragem que poucas pessoas tiveram no combate à corrupção no Brasil. Ele tem que ser convidado. Vou trabalhar para isso”, afirma o parlamentar.

José Nelto votou em Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial de 2018 “por falta de opção e para tirar o PT do poder. Eu achava que o PT era pior”. Mas diz que apenas votou no atual presidente. “Não fiz campanha nem pedi voto.”

No primeiro turno, seu candidato a presidente foi o senador Alvaro Dias.

O deputado apoiou a detenção do ex-presidente Lula e defende a aprovação de lei que mantenha a prisão em segunda instância de condenados pela Justiça, além de transformar a corrupção em crime hediondo.

Ele diz que, mesmo assim, não vetaria o ex-presidente no movimento —embora acredite que “não ficaria bem” ter o petista no grupo. “O Lula moralmente ainda continua preso, não pode sair às ruas. Não ficaria bem a participação dele”, afirma. “Mas a pior coisa na política é o veto. Não pode haver veto”, segue.

Nelto esclarece que o Podemos não defende o impeachment de Bolsonaro. Mas não tem cargos no governo e faz oposição a ele.

“Não vamos jogar o Brasil no abismo. Mas também não vamos permitir que governo algum faça isso”, diz ele. “Somos contra golpe, somos contra retrocesso, somos contra comandar uma direita fascista para isso. Queremos o diálogo com quem respeita o meio ambiente, tem preocupação social, está preocupado com a imagem do Brasil no exterior. Não queremos dividir. Queremos unir o país”, afirma ainda o deputado.”