• Daniel, o padre da Lava Jato
O atual governador de Goiás, Daniel Vilela, carrega um passado que insiste em reaparecer. Documentos da Operação Lava Jato, baseados em delações homologadas pelo Supremo Tribunal Federal, colocaram seu nome no centro de um esquema envolvendo repasses milionários ligados à Odebrecht.
Segundo o Ministério Público, em 2012 houve repasse de R$ 500 mil, não declarado, para a campanha de seu grupo político em Aparecida de Goiânia. Daniel é descrito na lista como “o padre”. A contrapartida relatada pelos delatores era clara: favorecimento da empreiteira em contratos de saneamento, que posteriormente foram firmados.
• Queria mais R$ 1 milhão
O ponto central surge em 2014. De acordo com os documentos, foi solicitado novo repasse, desta vez de R$ 1 milhão, diretamente vinculado à campanha de Daniel Vilela para deputado federal.
O valor teria sido pago por meio do chamado setor de operações estruturadas da Odebrecht, mecanismo conhecido por viabilizar pagamentos não oficiais, e registrado no sistema interno da empresa sob o codinome “Padre”.
• Esquema ligado à manutenção de contratos
Segundo os relatos, o objetivo não era apenas financiar campanha. O dinheiro serviria para garantir a continuidade e a estabilidade de contratos públicos firmados com a empresa.
É o modelo clássico revelado pela Lava Jato: dinheiro de campanha em troca de contratos.
Para quem mergulhou fundo nas águas do propinoduto, Daniel Vilela não terá moral para se sustentar em um debate político nas eleições desse ano.
Cristiano Silva
Editor

















