Eram apenas meras narrativas
• Esta semana se encerra com um sentimento de retomada da Justiça (em maiúsculo) à sua essência: o de examinar, escrutinar e julgar narrativas e fatos com a mais plena isenção e responsabilidade, separando o joio do trigo, e colocando os devidos pingos nos is.
• O complexo caso da Operação Metástase veio somar a uma espécie de reação, que se espera não ser efêmera, de promotores e magistrados que se levantam contra um efeito manada infelizmente tornado um lugar-comum na sociedade goiana.
• Bilhões de reais formaram a mola propulsora da dominação do mercado de saúde nos últimos anos em Goiás, pelo Cartel de Oncologia que se instalou no finado Ipasgo em 2019.
Ipasgo
• Os absurdos são gritantes no Ipasgo, vão desde o processo de privatização esdrúxulo, em que o poder executivo ainda nomeia e demite presidente, assim como a venda do hospital do servidor a preço de bananas, e a compra de terreno de marido de secretária de Estado, novamente sem licitação e sem motivo.
• O governo Caiado teve o aval de apaniguados do legislativo, mais preocupados com camionetes novas, e alguns setores do judiciário.
Pescaria probatória
• As diversas acusações – feitas e direcionadas por integrantes do Cartel – formaram um enredo digno de série televisiva. Somente uma análise imparcial poderia extrair a essência da tramoia.
• Derivada do termo inglês fishing expedition, a pescaria probatória é uma má prática que busca elementos incriminadores sem uma causa definida ou comprovada. Fica na esfera da narrativa obstinada e da má-fé. Repudiada em esferas superiores do Judiciário, como o STJ, parece ter também encontrado clarividência em alguns gabinetes do Primeiro e Segundo graus da Magistratura goiana. Bravo, doutora! Bravo, doutores!
• Oxalá esse sopro de Justiça perdure e livre os goianos de um final infeliz, que desde 2019 assola essa terra de gente boa e trabalhadora. Estamos na 7ª temporada. Quem sabe o Ministério Público também aproveite a mudança de lua e busque o cardume certo.
Cristiano Silva
Editor