terça-feira , 23 junho 2026
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Primo de Caiado é acusado de invadir fazenda, incendiar casas e expulsar viúva e filha de 3 anos

A vida de Maria Venância Neves da Silva Lessa e da filha, então com apenas três anos, virou um pesadelo após a morte do marido, Orlando Marques Lessa, em um acidente na BR-153, perto de Rialma, em 2009. Viúva e herdeira de uma fazenda de 550 alqueires, avaliada em cerca de R$ 20 milhões, além de um posto de gasolina em Crixás (GO), Maria não imaginava que o luto seria apenas o início de um drama ainda maior. Segundo denúncia recebida pelo G24H, o principal responsável por esse tormento é Breno Boss Cachapuz Caiado, primo do governador Ronaldo Caiado e atualmente candidato a desembargador do TJ-GO pelo Quinto Constitucional da Advocacia.

Invasão, incêndio e jagunços

O relato da viúva é estarrecedor. Tudo começou quando Breno Caiado apareceu no escritório do posto oferecendo um suposto negócio para “comprar os documentos da fazenda”. Diante da recusa, Maria pensou que tudo tinha terminado ali. Meses depois, recebeu uma ligação de um vizinho alertando que a fazenda havia sido invadida. Duas casas de madeira foram incendiadas e, no lugar, ergueram construções de alvenaria. Segundo ela, Breno Caiado, o vereador Cláudio Borges (MDB) e seu irmão Carlos Borges assumiram posse do imóvel, agora rebatizado como fazenda “Paulina”. Tudo isso, mesmo a viúva tendo escritura, certidões e documentos que comprovam sua propriedade.

O mais grave, segundo Maria Venância, foi descobrir que o grupo teria utilizado um documento falso com sua assinatura forjada para tomar posse do imóvel. Ela relata que localizou um homem chamado Darci, que admitiu ter recebido R$ 30 mil para assinar um papel simulando ser posseiro da fazenda. Darci ainda revelou que contrataram seu próprio filho para vigiar o local, como se fosse segurança da área invadida. Desde então, a viúva e a filha vivem uma batalha judicial que já se arrasta por anos, enfrentando o peso político, econômico e jurídico de quem deveria ser guardião das leis, mas, segundo ela, age como grileiro. O processo segue na Justiça do Mato Grosso, mas a pergunta que ecoa é: quem protege os indefesos quando quem tem poder é quem desrespeita a lei?

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