terça-feira , 23 junho 2026
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Família de Fábio Escobar quer saber se ele foi espionado pelo aparelho israelense contratado por Caiado; oposição já alertou sobre risco da promotora Leila Maria também ser alvo

• Oposição em alerta

A crise aberta entre o governo de Ronaldo Caiado e o Ministério Público de Goiás (MPGO) ganhou um capítulo ainda mais grave. Deputados da oposição já haviam alertado sobre o risco da promotora de Justiça Leila Maria de Oliveira estar sendo espionada, após ela questionar as obras de R$ 2,4 bilhões da Taxa do Agro, sem licitação.

O motivo do alerta é o contrato firmado pelo governo de Goiás, em 2020, com a empresa israelense Cognyte, dona do software espião First Mile, investigado pela Polícia Federal por suposto monitoramento ilegal de jornalistas, opositores e autoridades durante o governo de Jair Bolsonaro.

• Fábio Escobar foi espionado?

Agora, a família de Fábio Escobar, ex-coordenador da campanha de Caiado em Anápolis em 2018, assassinado no dia 23 de junho de 2021, faz uma pergunta direta e inquietante: Fábio foi espionado pelo mesmo aparelho contratado pelo governo de Goiás?

A dúvida não é infundada. Escobar foi morto após romper com o governo e denunciar corrupção e caixa dois. Na chacina que tirou sua vida, outras oito pessoas foram executadas, incluindo uma mulher grávida de sete meses.

O contrato com a Cognyte estava ativo na época, e justamente em junho de 2021, mês do crime, houve um aditivo ampliando os acessos ao sistema.

• Caiado colocou sigilo

O contrato, revelado pela Agência Pública, custou aos cofres públicos R$ 7,6 milhões e previa 10 mil acessos ao sistema First Mile, capaz de rastrear qualquer cidadão pelo sinal do celular.

A execução do contrato foi colocada sob sigilo por cinco anos por decisão da Polícia Civil de Goiás, o que impede a sociedade de saber quem foi monitorado e como o sistema foi usado.

A falta de transparência só amplia os questionamentos: a promotora Leila Maria, que hoje enfrenta ataques do governador, estaria sendo vigiada? E Fábio Escobar, antes de ser executado, foi monitorado? Afinal de contas, quem mais foi espionado? Como a máquina pública pode ter sido usada politicamente por Caiado? Só a quebra de sigilo poderá responder essas perguntas.

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