• Improbidade
Caiado (UB) perdeu qualquer senso de coerência ao atacar a promotora Leila Maria, que apenas cumpria seu dever constitucional ao questionar o repasse de R$ 2,4 bilhões da Taxa do Agro para obras sem licitação, via Ifag.
Ao perguntar em áudio arrogante, divulgado pela TV Anhanguera e pelo Jornal O Popular, se “tem cabimento uma pessoa [promotora de justiça] se achar no direito de ameaçar [fiscalizar] os órgãos do Estado?”, Caiado revela mais sobre si do que sobre quem ele critica.
Sim, governador, tem cabimento. Tem cabimento porque fiscalizar é obrigação. E falar em improbidade administrativa, como fez a promotora, não é uma ameaça — é apenas o nome técnico e jurídico do que a história recente do seu próprio governo conhece muito bem.
• Goinfra tem ficha suja
Se o governador acha exagero falar em improbidade, basta lembrar que em janeiro deste ano o então presidente da Goinfra, Lucas Vissotto, foi preso acusado de integrar um esquema de corrupção que causou um rombo de R$ 10,4 milhões aos cofres públicos em contratos de R$ 27 milhões.
Pagamento antecipado, superfaturamento, notas frias e demolições forjadas — tudo isso ocorreu dentro do governo Caiado, dentro da Goinfra, a mesma que hoje quer repassar bilhões para uma OS sem licitação.
E não foi denúncia da oposição. Foi investigação da própria Polícia Civil de Goiás, com base em relatórios da Seinfra, CGE e Gerência de Inspeções. E mesmo assim, o governador acha que quem fiscaliza é ameaça para o Estado.
• Tem cabimento?
Alô Caiado, respondendo à sua pergunta: “Tem cabimento isso?” — Tem, sim.
E como tem. Porque se a promotora Leila Maria não tivesse cumprido seu dever, quem estaria falhando seria o próprio Ministério Público.
Quem ameaça o Estado não é quem fiscaliza. É quem governa como se bilhões de reais fossem dinheiro de bolso, fugindo de licitações, atropelando leis e tratando órgãos de controle como inimigos.
E se a sua memória falhar, governador, lembre-se: seu governo tem ficha suja, com presidente da Goinfra preso há apenas seis meses, em janeiro deste ano, por suspeita de corrupção. Isso não é discurso. Isso é fato. E fato não se cala no grito.
Cristiano Silva
Editor

















