• Modelo contaminado
O avanço das Organizações Sociais Civis (OSC) sobre a gestão pública com Caiado (UB) em Goiás atinge níveis alarmantes.
Um dos casos mais emblemáticos é o do Instituto Idheias, entidade que, mesmo sendo alvo da Operação Tenebris no Distrito Federal por suspeita de superfaturamento e uso de documentos irregulares, mordeu uma fatia considerável em Goiás.
Segundo dados oficiais, o Idheias acumulou, entre 2018 e 2024, pelo menos R$ 12,9 milhões em contratos com Caiado, boa parte deles com a Secretaria de Cultura (Secult).
Entre os projetos estão o Circuito das Cavalhadas, o Festival FICA e a execução da Política Nacional Aldir Blanc, sempre com falta de transparência e critérios questionáveis.
• Dinheiro sem controle
Mesmo após a repercussão negativa da Operação Tenebris, que apontou superfaturamento de R$ 2,7 milhões e terceirizações ilegais no DF, o governo Caiado não só manteve, como ampliou os repasses ao Idheias.
Um exemplo é o Termo de Colaboração nº 01/2024, no valor de R$ 2 milhões, destinado à execução da Lei Aldir Blanc em Goiás.
Outro dado que chama atenção é o custo do Festival do Muquém de 2023, que passou de quase R$ 1 milhão com o Idheias, para menos da metade em 2024, quando executado por outra entidade.
• Sistema impregnado
O caso do Idheias simboliza um problema maior: a “empestiação” de Goiás por Organizações Sociais, um modelo que vem sendo expandido de forma acelerada e sem o devido controle público.
A própria promotora Leila Maria, alvo de ataques do governador, já havia alertado sobre os riscos desse sistema dentro da administração estadual.
Com quase R$ 13 milhões já repassados a uma OSC investigada por corrupção, fica evidente a urgência de uma resposta dos órgãos de controle.
O Ministério Público precisa agir. Goiás não pode continuar sendo laboratório para práticas que afrontam a legalidade, a moralidade e o interesse público.
Cristiano Silva
Editor

















