sexta-feira , 6 março 2026
Opinião

Governo Caiado e um legado de fachada, fictício; das placas trocadas

• Trocador de placas

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UB), chega ao último ano de mandato tentando correr contra o tempo para deixar um legado que não existe.

A pressa é tanta que ele aposta quase R$ 2,4 bilhões da recém-criada “Taxa do Agro” — o Fundeinfra — em contratos com uma Organização da Sociedade Civil (OSC), sem licitação.

A promotora de Justiça Leila Maria recomendou a suspensão das obras por ilegalidade, mas foi respondida com o já conhecido estilo de Caiado: atropelo e brutalidade. O problema, no entanto, está na raiz — um governo sem entregas.

Desde o início da gestão, o governador se limitou a pintar salas e trocar placas, como no CRER, em Goiânia, onde uma simples repintura virou “grande obra”, com direito a uma placa três vezes maior do que a de quem de fato construiu o hospital: o ex-governador Marconi Perillo (PSDB).

• Legado fictício

Não é à toa que Caiado ganhou o apelido de “Troca Placa”. Exemplo disso é o Cine Teatro São Joaquim, na cidade de Goiás, que foi reformado e entregue em 2017, mas reaberto por Caiado em 2025 como se fosse uma obra sua.

O governo tenta construir um legado de fachada, enquanto o que se acumula são denúncias e correções judiciais. A operação “Obra Simulada”, deflagrada em janeiro, revelou fraudes em contrato da Goinfra com uma empresa do DF no valor de R$ 27,8 milhões.

A investigação levou à prisão do ex-presidente da agência, Lucas Vissoto, e apontou um prejuízo de R$ 10,4 milhões aos cofres públicos. Obra feita, obra destruída. É esse o rastro que o governo Caiado deixa.

• Tudo errado

Mais recentemente, o Tribunal de Contas do Estado identificou falhas técnicas graves na pavimentação da GO-210, em Rio Verde. A obra, financiada pela Taxa do Agro, foi executada com equipamentos inadequados e sem o processo de cura do concreto, comprometendo toda a estrutura.

O TCE determinou a reconstrução de trechos inteiros. A extensão total é de 6,5 km, mas já se tornou símbolo de um governo que tenta fabricar realizações sem respeitar normas, instituições ou o dinheiro do contribuinte.

Vou me valer de Abraham Lincoln para cravar: Caiado pode enganar a todos por algum tempo; pode enganar alguns por todo o tempo; mas não pode enganar a todos todo o tempo.

A conta política, técnica e moral desse improviso vai chegar.

Cristiano Silva
Editor

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