segunda-feira , 22 junho 2026
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Impessoalidade? Ex-chefe de gabinete do governo Caiado foi ungido para operar R$ 2,4 bilhões em obras públicas sem licitação via Organização Social. Vergonha

• Tá na cara

Armando Leite Rollenberg Neto, ex-chefe de gabinete da Secretaria da Agricultura no governo Caiado (UB), foi cirurgicamente colocado no comando da Organização Social civil IFAG.

Isto traz à tona engrenagens pouco transparentes sobre a gestão de R$ 2,4 bilhões em recursos públicos, que serão usados em obras de infraestrutura sem qualquer licitação ou chamamento público.

O IFAG foi a entidade escolhida para essa missão às vésperas da eleição de 2026. Armando, que em 2019 era funcionário do governo Caiado, atuava em sintonia com o Palácio das Esmeraldas, agora assume papel central no destino de bilhões, num modelo que enfraquece os pilares da impessoalidade e da moralidade administrativa.

• Quem avisa amigo é

A promotora de Justiça Leila Maria de Oliveira, do Ministério Público de Goiás, classificou a entrega dessa gestão à entidade privada como “verdadeiro programa de privatização e burla ao processo licitatório”.

Em representação formal, apontou desrespeito aos princípios constitucionais da legalidade, moralidade, eficiência, economicidade e isonomia. Para ela, a forma como a OSC foi escolhida indica direcionamento.

Mesmo a Lei Federal nº 13.019/2014, que permite dispensa de chamamento público em situações específicas, não contempla o caso do IFAG, já que não há singularidade no objeto da parceria. E mais: Armando atua dos dois lados do balcão. A pessoalidade está escancarada.

A promotora alerta para o risco de contratação de fornecedores sem critérios e deficiência na fiscalização e prestação de contas.

• Um escândalo

É nesse contexto que o governo Caiado entrega a gestão de obras que não conseguiu realizar em oito anos.

As rodovias seguem esburacadas, e agora o plano é reconstruí-las em apenas oito meses? Com um aliado de confiança do governador no comando da entidade, a proximidade entre o poder público e a entidade privada levanta sérias dúvidas sobre o verdadeiro destino do dinheiro.

O mesmo grupo que elabora a política pública assume sua execução, invertendo o papel do Estado e comprometendo os princípios republicanos.

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