• Superfaturamento exposto
Durante a inauguração do anel viário de Pires do Rio, na última semana, o prefeito Hugo do Laticínios quebrou o protocolo e denunciou, diante do governador Ronaldo Caiado, do vice-governador Daniel Vilela, do presidente da Goinfra, Pedro Salles, e de diversos prefeitos da região, um escândalo: a obra de 12,4 quilômetros custou R$ 75 milhões, ou seja, R$ 6 milhões por quilômetro — quase três vezes o valor médio praticado em Goiás.
A fala surpreendeu até o governador, que, segundo relato, abriu uma calculadora no celular, ali mesmo no palanque, e confirmou a conta.
• Números
A responsável pela obra é a empreiteira São Cristóvão, que terá muito a explicar ao Ministério Público. Os valores da obra teriam “saltado” ao longo da execução, supostamente por causa de paralisações e ajustes técnicos.
Mas é justamente isso que precisa ser investigado: quem era o projetista original? Por que houve mudança tão drástica no custo? A empreiteira precisa apresentar os documentos, laudos e cronogramas que justifiquem esse aumento vertiginoso de preço — de cerca de R$ 27 milhões inicialmente previstos para os atuais R$ 75 milhões.
• Risco de inidoneidade
Caso as investigações confirmem a prática de superfaturamento, a São Cristóvão poderá enfrentar consequências sérias: se for considerada culpada em ação judicial, corre risco real de ficar ficha suja.
Isso a impediria de firmar novos contratos com entes públicos, o que, na prática, representaria o fim de sua atuação no setor de obras públicas. O caso de Pires do Rio não será enterrado no silêncio. A população quer respostas — e o Ministério Público tem nas mãos a responsabilidade de agir.

















