• Um grande mestre
Conheci o ‘seo’ Luis Fernando Veríssimo por volta de 2010, no Parque Vila Lobos, em São Paulo. Estava eu, um jovem escritor, diante do filho do mestre Érico Veríssimo, que o tempo e o vento trataram de transformar em outro ícone da nossa literatura, principalmente na comédia.
Foi um encontro que jamais esquecerei: um senhor humilde, leve, de fala mansa e escrita deliciosa, que soube vestir o humor com elegância e transformar o cotidiano em crônica afiada.
E ali diante de mim, lendo meu trabalho e dando seus pitacos. Depois disso nos encontramos outras vezes, e sempre com o sorriso inconfundível do bonequinho das capas de seus livros.
• No cafezinho…
Sério, atento, gentil na escuta, disposto. Essas são algumas palavras que me aparecem na cabeça ao lembrar dos encontros com ‘seo’ Luis Fernando. Falávamos de literatura, particularmente sempre falava que sou o maior fã do Mário Quintana, de Alegrete, mas tinha o mesmo apreço pelo “joelhaço” do Analista de Bagé. Mas, gostava de escutá-lo, como que aprendendo cada palavra.
Tenho todos os livros de Veríssimo: “As Mentiras que os Homens Contam”, “Sexo na Cabeça”, “Mesa Voadora”, “O Analista de Bagé”, “O Melhor das Comédias de Vida Privada” etc…
São textos deliciosos, que espalharam o riso pelo país. Suas crônicas, com ironia fina e afeto, ganharam ainda mais público ao serem adaptadas para a TV em “A Comédia da Vida Privada”, na TV Globo, entre 1995 e 1997. Só os Veríssimos foram capazes!
• Perdemos um ícone
Luis Fernando morreu neste sábado (30), aos 88 anos, em Porto Alegre. Estava hospitalizado havia três semanas com pneumonia. Portador de Parkinson, com histórico de AVC e marcapasso, lutava contra limitações há alguns anos.
Essas memórias tão queridas agora se mesclam à saudade. Obrigado, ‘seo’ Luis Fernando, por permitir a este jovem escritor de Goiás um pouco de sua sabedoria. Só os Veríssimos foram capazes de tanto sucesso, quase cem anos, em duas gerações marcantes: Érico e Luis Fernando.
Cristiano Silva
Editor

















