sexta-feira , 6 março 2026
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Mesmo após decisão do STF, família Caiado mantêm clima de terror na Antinha de Baixo, região ocupada por quilombolas onde derrubaram casas; 400 famílias vivem com medo de outro ataque

• Terror contínuo

Mesmo depois da decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a devolução de casas e terras na região da Antinha de Baixo, em Santo Antônio do Descoberto, moradores denunciam que os irmãos Murilo Caiado e Breno Caiado, primos do governador Ronaldo Caiado, continuam a desafiar a Justiça.

Moradores relataram que capangas contratados por Murilo Caiado teriam invadido propriedades, ocupado imóveis e roubado animais.

Segundo relatos, galinhas foram roubadas pelos seguranças e usadas para consumo próprio.

Uma das propriedades foi tomada por completo, virou quartel general dos jagunços e a antiga dona perdeu o direito até de entrar em sua própria casa.

•Medo e coronelismo

A volta do coronelismo dos Caiado causou um cenário de medo e desespero. Quem perdeu a casa vaga de favor, hospedado em vizinhos.

Outros tiveram que se mudar para a cidade, alugando pequenas casas depois de ver a roça arrasada.

Galinheiros com mais de 500 aves foram destruídos, chiqueiros desmontados e plantações devastadas, o que deixou dezenas de famílias sem fonte de sustento.

• Força desproporcional

Quando a Justiça goiana havia dado ganho de causa aos irmãos Caiado, uma operação com várias viaturas garantiu os despejos, exibindo o braço do governo Ronaldo Caiado (UB).

Agora, diante das denúncias contra os capangas, reina o silêncio das autoridades. Os moradores sentem-se abandonados e submetidos a um ambiente de intimidação permanente.

• Decisão garantida

Na decisão publicada em 24 de setembro, Fachin cassou a medida que beneficiava os Caiado e determinou a devolução de 32 imóveis às famílias.

O ministro ressaltou que a Antinha de Baixo é autodeclarada quilombola e que entregar a região a três herdeiros da família Caiado poderia gerar “prejuízos irreversíveis”.

O Incra já estuda a área, reforçando que a permanência das famílias é legítima e que a ordem judicial precisa ser cumprida.

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