• Nome e CPF
O Ministério Público de Goiás não pode esquecer um nome ao sacudir, na peneira da Justiça, essa Taxa do Agro, o contrato com o IFAG e as obras sem licitação.
Um nome não pode ser ignorado — o nome que costura todos os fios dessa teia. Trata-se da sombra política do governador Ronaldo Caiado, que se posiciona do outro lado do balcão de negócios como se fosse defensor dos produtores rurais, mas age como avalista do próprio governo.
Estou falando do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner. É ele o elo silencioso entre o poder público e os interesses privados que orbitam esse modelo questionado pelo Supremo Tribunal Federal.
• As engrenagens da questão
O problema central não é identificar partidos ou lados, mas a forma como todo o processo das obras com recursos da Taxa do Agro, sem licitação, vem sendo conduzido.
As intervenções estão sendo aceleradas não com foco na boa aplicação do dinheiro público, mas com objetivos claramente eleitoreiros.
Um instituto sem estrutura mínima foi inventado às pressas para administrar projetos bilionários.
Parte significativa dos recursos foi usada para montar escritórios, comprar móveis, contratar pessoal e tentar se organizar.
Trata-se de uma engenharia institucional montada para viabilizar obras com intenção política, e não por critérios técnicos ou de gestão.
• Fundo compulsório
O mais grave é a origem do dinheiro. Todo esse volume vem do produtor rural, de forma compulsória, por meio de um fundo criado sem diálogo, sem transparência e sem governança sólida.
No fim, quem financia essa engrenagem é o mesmo de sempre: o produtor, que paga a conta enquanto o governo tenta se beneficiar politicamente das obras.
• Responsabilidade pública
Por isso, mais do que discutir partidos, é preciso discutir seriedade, transparência e responsabilidade com o recurso público. É preciso saber ver quem será beneficiado diretamente com tudo isso. E por que Schreiner está em todas as pontas do negócio.
O problema não é a política em si, mas o uso que o governo Caiado quer fazer da máquina estatal e do dinheiro do campo para promoção eleitoral. Esse é o ponto que precisa ser enfrentado com maturidade e lucidez.

















