• Governadores justiceiros
O ministro dos Transportes, Renan Filho, está certo ao afirmar que Ronaldo Caiado integra a patota de governadores que se dizem combatentes do crime, mas só caçam “bandidos pequenos”, enquanto os grandes, de colarinho branco, atuam livremente em Goiás.
A crítica veio após a tentativa de meia dúzia de governadores — entre eles Caiado — de formar uma espécie de “liga da justiça” para resolver a segurança pública nacional, reunindo-se no Rio de Janeiro logo após a operação mais letal da história, que deixou mais de 130 mortos.
• O discurso e a prática
Renan Filho rebateu o discurso dos governadores que, enquanto se vangloriam de “combater o crime organizado”, promovem o justiçamento de pobres em nome da “necropolítica”.
Mortes em massa são exibidas como troféus, mas o crime nunca acaba — e não acaba porque os barões do colarinho branco continuam operando, com poder e influência, dentro dos palácios. De que adianta matar ladrão de galinha se os chefões do esquema usam terno e gravata, atuando livremente no dia seguinte?
• Provas em Goiás
Em Goiás, sob o governo Caiado, a Polícia Federal revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) manteve por oito anos uma rede de postos de combustíveis usada para lavagem de dinheiro, como apontou a Operação Carbono Oculto, deflagrada há menos de dois meses.
O esquema movimentou milhões por meio de empresas de fachada, operando livremente durante o governo do União Brasil.
• Usina suspeita
Mais grave: uma usina de etanol em Porteirão, a Goiás Bioenergia, também foi citada pela PF como parte da estrutura financeira do PCC.
A mesma empresa recebeu R$ 265 milhões em incentivos fiscais do governo Caiado — com pompa, discursos oficiais e aplausos. Todos de colarinho branco, mas tão suspeitos quanto aqueles mortos nos morros do Rio de Janeiro.
Cristiano Silva
Editor

















