• Palanque em vez de técnica
Caiado (UB) transformou a segurança pública em palanque eleitoral. Um debate que deveria ser técnico, baseado em inteligência e integração federativa, virou espaço para oportunistas.
O risco: quando a política ocupa o lugar da técnica, o crime organizado avança.
Governadores, como Caiado, assumem postura contraditória. Se a polícia obtém resultados, proclamam-se responsáveis. Se a criminalidade cresce, apontam o dedo para o presidente da República.
Mas para eles, quanto pior, melhor. Pois assim tentam sangrar Lula (PT) com um problema dos Estados. Os bonitos gostam apenas dos frutos positivos.
É o coronelismo reeditado, como o “coroné” do Auto da Compadecida II, que prometia água no sertão mas jamais entregava, pois a solução acabaria com seu discurso eleitoral.
• Crise transformada em discurso
Enquanto o governo federal trabalha para enfrentar um problema que é, inicialmente, dos Estados, Caiado tenta capitalizar a crise.
Goiás, segundo a Folha de S.Paulo, lidera o ranking nacional de laboratórios de cocaína. O estado também abriga usinas e uma rede de combustíveis associadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Mesmo assim, o governador prefere transformar a disputa política em vitrine, em vez de encarar a expansão do crime organizado em seu território.
• O caso Goiás Bioenergia
A usina Goiás Bioenergia, investigada por lavagem de dinheiro na Operação Carbono Oculto, recebeu R$ 265 milhões em incentivos do governo Caiado.
O “novo cangaço”, que abandonou assaltos a banco e migrou para o colarinho branco, encontrou portas abertas ao se apresentar como empresário.
Esse campo minado Caiado evita discutir, embora envolva recursos públicos e suspeitas graves.
• Ação federal estruturada
Enquanto isso, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, prepara um pacote nacional para enfrentar facções criminosas, reforçando operações integradas e ampliando o uso de inteligência.
O plano, construído com remanejamento interno de verbas, deve alcançar centenas de milhões de reais.
Combater crime organizado exige inteligência e estratégia — não disputas midiáticas e bafo de boca, como faz Caiado.
Cristiano Silva
Editor

















