sexta-feira , 6 março 2026
Opinião

Caiado arrastou o debate da segurança pública para o campo político — onde nada acontece

• Palanque em vez de técnica

Caiado (UB) transformou a segurança pública em palanque eleitoral. Um debate que deveria ser técnico, baseado em inteligência e integração federativa, virou espaço para oportunistas.

O risco: quando a política ocupa o lugar da técnica, o crime organizado avança.

Governadores, como Caiado, assumem postura contraditória. Se a polícia obtém resultados, proclamam-se responsáveis. Se a criminalidade cresce, apontam o dedo para o presidente da República.

Mas para eles, quanto pior, melhor. Pois assim tentam sangrar Lula (PT) com um problema dos Estados. Os bonitos gostam apenas dos frutos positivos.

É o coronelismo reeditado, como o “coroné” do Auto da Compadecida II, que prometia água no sertão mas jamais entregava, pois a solução acabaria com seu discurso eleitoral.

• Crise transformada em discurso

Enquanto o governo federal trabalha para enfrentar um problema que é, inicialmente, dos Estados, Caiado tenta capitalizar a crise.

Goiás, segundo a Folha de S.Paulo, lidera o ranking nacional de laboratórios de cocaína. O estado também abriga usinas e uma rede de combustíveis associadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Mesmo assim, o governador prefere transformar a disputa política em vitrine, em vez de encarar a expansão do crime organizado em seu território.

• O caso Goiás Bioenergia

A usina Goiás Bioenergia, investigada por lavagem de dinheiro na Operação Carbono Oculto, recebeu R$ 265 milhões em incentivos do governo Caiado.

O “novo cangaço”, que abandonou assaltos a banco e migrou para o colarinho branco, encontrou portas abertas ao se apresentar como empresário.

Esse campo minado Caiado evita discutir, embora envolva recursos públicos e suspeitas graves.

• Ação federal estruturada

Enquanto isso, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, prepara um pacote nacional para enfrentar facções criminosas, reforçando operações integradas e ampliando o uso de inteligência.

O plano, construído com remanejamento interno de verbas, deve alcançar centenas de milhões de reais.

Combater crime organizado exige inteligência e estratégia — não disputas midiáticas e bafo de boca, como faz Caiado.

Cristiano Silva
Editor

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