• Instituição ferida
A Polícia Militar de Goiás sempre foi vista como uma das instituições mais respeitadas do Estado. Mas hoje, a imagem que se projeta é outra: a de uma força pública capturada por um pequeno grupo que age como se estivesse acima da lei. É essa a impressão que fica quando se observa a sucessão de crimes atribuídos a policiais, sempre cercados de vantagens, bravuras e promoções.
• A culpa de Caiado
Foram oito anos sob o governo Ronaldo Caiado em que se acumulam denúncias, investigações e casos envolvendo policiais militares em execuções, emboscadas e queima de arquivos, sem que se veja uma reação institucional à altura. Quem protege quem?
• Caso Escobar
O assassinato de Fábio Escobar, em 2021, ex-coordenador de campanha de Caiado, morto após romper com o governo e denunciar suposto caixa dois, é apontado por investigadores como um dos episódios mais simbólicos dessa escalada. Ele foi morto por policiais militares em uma emboscada. Coincidência ou recado?
• Caso da Pastelaria
Agora, o caso do empresário Fabrício Brasil Lourenço, morto a tiros em frente à própria pastelaria, em outubro, arrasta para o centro da investigação dois sargentos da PM e um coronel. Segundo a Polícia Civil, teria havido promessa de promoção por bravura em troca do crime. Isso é bravura ou corrupção fardada?
• Piloto e inocentes
No assassinato do piloto Felipe Moraes, colaborador da Polícia Federal contra o PCC, além dele, dois trabalhadores inocentes também morreram. A versão inicial foi de confronto. Perícias independentes apontaram tiros pelas costas. Quem controla a narrativa?
• Bravuras e Promoções
Em todos esses casos, a sombra que paira é a mesma: favores pagos com bravuras, bravuras trocadas por promoções, promoções sustentando crimes. Um ciclo que corrompe a farda, mancha a corporação e destrói a confiança da sociedade.
• Câncer
O que se vê é um câncer instalado na estrutura, que segue crescendo porque ninguém corta pela raiz. Não se trata de atacar a Polícia Militar. Ao contrário: trata-se de salvá-la de quem a sequestrou. O problema é que esse grupo é tão forte, que a própria cúpula da Segurança Pública não consegue arrancá-los dos postos que ocupam e enfiá-los na cadeia. O caso é grave.
Cristiano Silva
Editor

















