quinta-feira , 5 março 2026
Opinião

Pedro Sales diz que não aceita desconto em licitações e levanta suspeitas sobre como o governo quer contratar obras em Goiás. Quer meter a mão? Isto é caso de polícia

• Sem noção

O presidente da Goinfra, Pedro Sales, divulgou um vídeo afirmando que não aceita empresas que ofereçam preços baixos em processos licitatórios no Estado.

A declaração, feita de maneira informal, causou estranhamento e abriu um debate inevitável sobre o papel do gestor público e os limites legais da sua atuação.

• Regra clara

Pela legislação brasileira, licitação serve para garantir menor preço aliado à capacidade técnica. Se a empresa vencedora não consegue executar a obra, responde administrativa e judicialmente.

O dirigente não escolhe quem pode dar desconto; quem conduz o certame é o servidor responsável pela licitação.

• Interferência?

Quando Pedro Sales afirma que “não aceita” quem oferece preço menor, surge a pergunta: cabe a ele antecipar critérios fora do edital? Isso não pode caracterizar interferência indevida em um processo que deve ser técnico e impessoal?

• De mal a pior…

A fala ocorre após episódios sensíveis envolvendo obras sem licitação, como o caso da taxa do agro via organização social inventada por Caiado e comandada pelo ex-servidor carta marcada do próprio governo, Armando Rollemberg. A coisa caminhava escandalosamente com mais de R$ 2 bilhões de dinheiro público.

A promotora de Justiça Leila Maria, do Ministério Público de Goiás, recomendou a não realização do contrato por ferir a Constituição. Em Rio Verde, 10 promotores assinaram uma denúncia com o mesmo esquema.

Novos modelos de contratos e repasses via OS foram suspensos por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

O governo recuou e voltou a abrir licitações, mas agora aparece com essa: quer apenas quem meta a mão com força na grana pública e não aceita menor preço com desconto. Essa história está muito manjada e já está virando caso de polícia.

Cristiano Silva
Editor

Artigos relacionados

Opinião

Cale a boca, jornalista! Não vão me calar. Não adianta. Como disse Fábio Escobar: “só matando”

• Só me matando, Caiado Três agentes da Polícia Militar, servidores da...

Opinião

Agora as lágrimas são do Vila e não suas. Descanse em paz, amigo JK

Recebi neste domingo (22) a notícia da morte do meu querido amigo...

Opinião

Daniel Vilela faz acusação grave contra Ana Paula Rezende e agora precisa provar o que disse

• Calúnia e difamação? Daniel Vilela (MDB) passou quatro fazendo curso de...