• Saúde caótica
Todo cidadão tem direito à saúde pública no Brasil. Isso não é opinião, é Constituição. Diante disso, cabe a pergunta: fechar a porta de um hospital público — ainda que por algumas horas — é compatível com esse direito?
Em Goiás, a política adotada pela Secretaria de Saúde do governo Caiado criou um “rodízio” entre unidades, suspendendo a demanda espontânea por períodos inteiros. A justificativa oficial é “organizar filas”. Mas organizar como, se o paciente sequer consegue entrar?
• Rodízio letal
Quando todos os grandes hospitais de urgência alternam portas fechadas, o efeito prático é a negativa de atendimento. Isso reduz fila no papel ou apenas empurra pessoas para casa, ambulâncias ou instituições filantrópicas? Diminuir estatística negando acesso é gestão ou é omissão? A dor não entra no Excel. A urgência não espera cronograma. Chamar isso de solução soa, no mínimo, desumano.
• OSs milionárias
Enquanto pacientes enfrentam portas fechadas, Organizações Sociais (OSs) seguem recebendo contratos milionários para administrar unidades. Muitas são ligadas ao modelo defendido pelo ex-ministro Henrique Mandetta. A pergunta é inevitável: há racionalidade clínica ou prioridade financeira? Quando a planilha decide quem entra, o cuidado perde centralidade. Comparações históricas são duras, mas a realidade também é: o sistema escolhe quem fica à margem?
• Alô MP
Promessas não cumpridas agravam o quadro. Em 2019, o governador prometeu novas policlínicas. Nenhuma foi entregue. Questionado, o secretário desviou para a “telessaúde”. Atendimento remoto substitui porta aberta? É papel do Ministério Público fiscalizar imediatamente resultados, filas e óbitos evitáveis. Saúde não é favor. É direito. Quem responde quando o Estado fecha?

















