quinta-feira , 5 março 2026
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Sempre juntos: Márcio Correa, Amilton Filho e R$ 1,13 milhão de reais com posto de gasolina. Tem caroço nesse mingau

• Litros de suspeitas

Uma história muito mal explicada em Anápolis (GO) expõe, no mínimo, um escândalo de transparência: a Prefeitura aparece vinculada ao gasto de R$ 1.013.024,10 — dinheiro de emenda parlamentar — para custeio e aquisição de combustível. Sim: posto de gasolina.

O valor chama atenção não só pelo tamanho, mas pelo timing. A emenda teria sido paga em tempo recorde e chega justamente no momento em que Goiás discute, nos bastidores e nas denúncias públicas, o uso de emendas como instrumento de alinhamento político — inclusive com a suspeita recorrente de “premiar” apoios para 2026, no entorno do projeto do vice-governador Daniel Vilela (MDB).

• Quem explica?

A justificativa que aparece no portal de transparência da prefeitura: “custeio e aquisição de combustível para o município de Anápolis”.

Só que aí entra o “caroço no mingau”: a própria Prefeitura, segundo o que se vê em práticas comuns de gestão e no que normalmente consta em portais de transparência, costuma operar com contratos/credenciamentos de abastecimento já estruturados.

Então fica a pergunta óbvia: por que uma emenda inteira, de mais de R$ 1 milhão, precisa virar combustível via “posto”, se o município já tem rotinas e mecanismos administrativos para abastecimento?

Se já existe rede credenciada, por que concentrar um volume desse tamanho numa rubrica que, historicamente, é uma das mais vulneráveis a maquiagem contábil?

• “Esquema de posto” é manjado

Aqui não dá para fingir inocência. Quem acompanha política sabe: combustível é uma rubrica clássica para distorções — porque nota fiscal é fácil de emitir e fiscalização real é difícil de provar no detalhe do dia a dia.

O roteiro conhecido é sempre o mesmo: nota sai, mas quem garante que o carro abasteceu? Quem mede, na prática, litro por litro, veículo por veículo, rota por rota?

• Coincidências demais

O deputado Amilton Filho (MDB) é do partido de Daniel Vilela (MDB) e apoiou Márcio Correa (PL) na eleição. Os dois sempre caminharam juntos — e, agora, essa emenda cai no colo da gestão e vira combustível em volume milionário.

E o detalhe mais indigesto: em paralelo, o debate estadual ferve com denúncias de uso político de emendas, como denunciou ao Ministério Público o deputado estadual delegado Eduardo Prado. É muita coincidência, concordam?

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