• Mentira engolindo o mentiroso
Durante todo o governo, Ronaldo Caiado repetiu como mantra que Goiás não tinha crime organizado. Falou, insistiu, bateu no peito. Só que a realidade resolveu aparecer — e apareceu com força, com nome, apelido, CNPJ e milhões circulando.
A grana do crime organizado em Goiás
No ano passado, uma investigação da Polícia Federal mostrou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) estava enraizado em Goiás, usando postos de combustíveis e empresas como fachada. No meio da denúncia, surge até uma usina de álcool, a Goiás Bioenergia, citada como parte do esquema. Coincidência ou não, essa mesma usina recebeu R$ 265 milhões em incentivos do governo Caiado pelo programa Produzir.
• Maresia, Tenebroso e Bozo
Agora, o Ministério Público de Goiás (MPGO) escancarou de vez o problema. Foram 57 denunciados, ligados à facção goiana Amigos do Estado (ADE), braço do PCC. Os líderes têm apelido conhecido no mundo do crime: Maresia, Tenebroso e Bozo.
• Movimentação financeira
Segundo a denúncia, a quadrilha movimentou mais de R$ 14 milhões em menos de um ano. Só uma empresa de fachada chegou a girar R$ 25 milhões em dois meses. Dinheiro do tráfico, lavado sem pressa, debaixo do nariz do poder público.
E tudo isso acontecendo em Trindade, colada em Goiânia. Vale lembrar: até pouco tempo atrás, quem mandava na segurança da cidade era um coronel alinhado ao Palácio, tratado como pupilo do caiadismo. Mesmo assim, o crime organizado operou livre, leve e solto.
Um dos líderes, o Bozo, foi preso recentemente pela polícia do Rio, descansando em praia. Mas e os outros? E o esquema que o MP diz estar ativo até dezembro passado?
• Realidade
Não dá mais para negar. Não dá para fingir surpresa. Quando o Caiado diz que não existe crime organizado em Goiás, Bozo, Tenebroso e Maresia brotam e ramificam suas forças, aproveitando inclusive da falsa sensação de segurança divulgada pelo próprio governo.
Cristiano Silva
Editor

















