quinta-feira , 23 abril 2026
Opinião

Bozo, Tenebroso e Maresia desmentiram Caiado sobre crime organizado. Faccionados movimentaram bilhões tranquilamente em Trindade (GO), debaixo do nariz de um ex-comandante caiadista

• Mentira engolindo o mentiroso

Durante todo o governo, Ronaldo Caiado repetiu como mantra que Goiás não tinha crime organizado. Falou, insistiu, bateu no peito. Só que a realidade resolveu aparecer — e apareceu com força, com nome, apelido, CNPJ e milhões circulando.

A grana do crime organizado em Goiás

No ano passado, uma investigação da Polícia Federal mostrou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) estava enraizado em Goiás, usando postos de combustíveis e empresas como fachada. No meio da denúncia, surge até uma usina de álcool, a Goiás Bioenergia, citada como parte do esquema. Coincidência ou não, essa mesma usina recebeu R$ 265 milhões em incentivos do governo Caiado pelo programa Produzir.

• Maresia, Tenebroso e Bozo

Agora, o Ministério Público de Goiás (MPGO) escancarou de vez o problema. Foram 57 denunciados, ligados à facção goiana Amigos do Estado (ADE), braço do PCC. Os líderes têm apelido conhecido no mundo do crime: Maresia, Tenebroso e Bozo.

• Movimentação financeira

Segundo a denúncia, a quadrilha movimentou mais de R$ 14 milhões em menos de um ano. Só uma empresa de fachada chegou a girar R$ 25 milhões em dois meses. Dinheiro do tráfico, lavado sem pressa, debaixo do nariz do poder público.

E tudo isso acontecendo em Trindade, colada em Goiânia. Vale lembrar: até pouco tempo atrás, quem mandava na segurança da cidade era um coronel alinhado ao Palácio, tratado como pupilo do caiadismo. Mesmo assim, o crime organizado operou livre, leve e solto.

Um dos líderes, o Bozo, foi preso recentemente pela polícia do Rio, descansando em praia. Mas e os outros? E o esquema que o MP diz estar ativo até dezembro passado?

• Realidade

Não dá mais para negar. Não dá para fingir surpresa. Quando o Caiado diz que não existe crime organizado em Goiás, Bozo, Tenebroso e Maresia brotam e ramificam suas forças, aproveitando inclusive da falsa sensação de segurança divulgada pelo próprio governo.

Cristiano Silva
Editor