• Contraste cruel
Enquanto o governador Ronaldo Caiado usa avião do Estado, estrutura de luxo, seguranças e o que há de melhor na medicina privada em São Paulo para realizar uma cirurgia vascular de angiologia, o goiano Anésio, de 57 anos, morador de Taquaral (GO), chora há dez dias sendo empurrado de hospital em hospital em Goiás, sem conseguir atendimento para o mesmo problema: veias entupidas do pé até a barriga, em situação grave e urgente.
• Peregrinação
Anésio iniciou sua via-crúcis no sistema estadual de saúde passando por quatro unidades públicas. Foi encaminhado para Orizona, depois transferido para Pires do Rio, em seguida levado ao Hospital Estadual de Aparecida de Goiânia, de lá jogado para o Cais de Campinas, em Goiânia, e finalmente para o Hospital Estadual Governador Otávio Lage (Hugol). Em nenhuma dessas unidades conseguiu a cirurgia.
• Desespero
A esposa de Anésio gravou um vídeo enviado ao Goiás 24 Horas, relatando o drama, o sofrimento e o descaso. O marido sofre dores intensas, corre risco real de complicações graves, mas segue sem resposta, sem cirurgia e sem dignidade.
• Luxo x abandono
Enquanto isso, Caiado realizou o mesmo procedimento em hospital de ponta em São Paulo, atendido pela médica das celebridades, Ludhmila Hajjar, cercado de conforto, rapidez e excelência. Tudo bancado direta ou indiretamente com dinheiro público. O pobre enfrenta portas fechadas, maca nos corredores e promessas vazias.
• Método perverso
A situação piora com a política adotada pelo secretário estadual de Saúde, Rasível Reis, que instituiu o absurdo rodízio: fechar um hospital estadual uma vez por semana, suspendendo atendimentos emergenciais sob a justificativa de “reduzir filas”.
Na prática, não se opera ninguém para fingir que a fila diminuiu. Um método cruel, desumano e perverso, que transforma sofrimento em estatística.
• Canalhice institucional
Se o governador tivesse de enfrentar a mesma fila, passar pelas mesmas humilhações e dormir em macas, talvez entendesse o que vive o povo.
Mas não. Caiado usa o avião do Estado, estrutura milionária e hospitais de elite, enquanto o cidadão comum recebe porta na cara.

















