• Documento da própria Goinfra revela volume da exploração
A disputa envolvendo a propriedade da viúva Maria da Paz, de 78 anos, em Catalão, ganhou um novo capítulo após a divulgação de um documento oficial da própria Goinfra. O memorial descritivo da área denominada “Empréstimo Concentrado 10.2” prevê a retirada de aproximadamente 137 mil metros cúbicos de material da Fazenda Ribeirão, pertencente à família da produtora rural.
Segundo a advogada Vanessa Ferreira, a discussão não envolve apenas a desapropriação da terra. O que está sendo retirado da propriedade possui valor econômico próprio e será utilizado diretamente na construção do trecho da GO-330.
• Valor pode ultrapassar R$ 5 milhões
Tomando como referência valores praticados no mercado de obras rodoviárias, o volume de 137 mil metros cúbicos de cascalho pode representar cifras milionárias. Dependendo da cotação utilizada, o material pode alcançar valor superior a R$ 5,4 milhões.
A defesa afirma que o governo depositou judicialmente R$ 550,1 mil referentes à desapropriação, mas sustenta que esse valor não contempla adequadamente a exploração econômica do material existente na área.
• Família não sacou o dinheiro
Vanessa Ferreira explica que a família não retirou o valor depositado judicialmente porque discorda da utilização da chamada caixa de empréstimo, local destinado à retirada do cascalho.
Segundo ela, dona Maria nunca foi contra a construção da rodovia. O impasse está na exploração da área interna da propriedade e nos impactos que a retirada do material poderá causar ao restante da fazenda.
• Não apresentou licença ambiental
Outro ponto levantado pela defesa envolve a licença ambiental para a retirada do material. Segundo Vanessa Ferreira, até o momento não foi apresentada no processo a autorização específica para a exploração da área de empréstimo. A questão já foi levada ao Ministério Público e integra os questionamentos apresentados pela defesa.

















