sábado , 7 novembro 2026
Opinião

Daniel reclamou da “dobradinha” da direita entre Marconi e Wilder, mas esqueceu de levar propostas ao debate e só ficou na dobradinha com a esquerda

• Dobradinha por dobradinha

Daniel Vilela (MDB) pareceu incomodado no debate da TV Anhanguera, nesta terça-feira (29). Reclamou de uma suposta “dobradinha” da direita, quando Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) fizeram perguntas um ao outro.

Curiosamente, nos debates em que não fugiu, quando teve oportunidade de escolher adversários, Daniel recorreu várias vezes a Luiz Cesar Bueno (PT), nos bastidores: a dobradinha da esquerda, já que Daniel tem uma história de vida ligada ao Partido dos Trabalhadores na política. A “dobradinha” dos outros incomoda; a própria, aparentemente, não.

• Propostas fizeram falta

Mas esse nem foi o maior problema de Daniel. Na minha avaliação, sua grande derrota foi outra: faltaram propostas capazes de marcar o debate. Enquanto adversários apresentavam projetos concretos para resolver o problema da Saúde Pública em colapso, Daniel parecia preso ao discurso da tecnologia, inteligência artificial e modernização.

• IA não resolve saúde e nem prende ninguém

Wilder explorou justamente essa fragilidade. Questionou o excesso de discurso sobre tecnologia diante de pacientes sofrendo na Saúde. Afinal, inteligência artificial pode ser ferramenta importante, mas não coloca médico no plantão, não abre leito e não tira paciente do corredor.

• Adversários mostraram projetos

Marconi apresentou o Vapt Vupt da Saúde, falou do programa Limpa Nome, para pessoas endividadas, e defendeu medidas de humanização do atendimento nos hospitais públicos. Wilder apresentou sua proposta para criar o SUS goiano. Luis Cesar uma parceria firme com o governo federal. Daniel, Daniel nada palpável.

No final, Daniel reclamou da “dobradinha”. Mas eleição não se ganha reclamando de adversário. Debate é lugar de apresentar ideias. E foi justamente aí que, na minha avaliação, Daniel Vilela ficou vendido com um bocado de pedras nas mãos.

Cristiano Silva
Editor