terça-feira , 7 julho 2026
Goiânia

Provável ida de Paulo Borges para o Paço é a prova de que Paulo Garcia desistiu de salvar o seu mandato

Em que pese a reprovação quase unânime da população de Goiânia ao trabalho do prefeito Paulo Garcia (PT), um ou outro ainda teimava em dizer que, apesar de incompetente, o petista estava imbuído de boas intenções. Acontece que, depois da notícia publicada nesta quinta-feira pelo portal do Jornal Opção, ninguém haverá de ponderar em favor do prefeito. Ficou claro que ele desistiu de salvar a própria pele.

Consta no site do Jornal Opção que interlocutores de Paulo Garcia teriam sondado o vereador Paulo Borges (PMDB) para assumir a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Ciência e Tecnologia. O amigo leitor que tem boa memória se lembrará que Paulo Borges foi protagonista em uma bela porção de escândalos envolvendo desvio de dinheiro público – no último deles, o vereador teria sido flagrado pelo Ministério Público participando de um esquema para liberação de licenças ambientais por parte da prefeitura.

O vereador é velho conhecido do MP. Em 2012, a promotoria levantou a suspeita de que ele havia programado a doação de casas do programa Minha Casa, Minha Vida de modo a favorecer suas ambiciosas pretensões eleitorais.

Entre 2001 e 2002, o peemedebista, então no PPS e presidente da Companhia de Processamento de Dados de Goiânia (Comdata), teria contratado, sem licitação, uma empresa de São Paulo para imprimir os carnês dos impostos, serviço que teria sido superfaturado em R$ 180 mil. Na mesma ocasião, a Comdata teria pago à Fundação de Apoio à Pesquisa (Funape) R$ 1,7 milhão para instalação de um call center no órgão. O valor real pelo serviço não passava de R$ 900 mil.

Por fim, mas não menos importante, Paulo Borges foi arrolado em ato que pede condenação por improbidade administrativa porque o vereador acumulou salários pagos com dinheiro público, o que é terminantemente proibido. No período de julho a outubro de 2004 ele teria se licenciado da Comdata, onde entrou por concurso, para se candidatar, mas continuou recebendo os proventos mensais de R$ 12 mil pelos anos seguintes, com liberação do registro de frequência.

O que o prefeito Paulo Garcia ganha ao levar um sujeito desses para dentro de casa? Talvez créditos com o PMDB (que jamais considerou expulsar o seu filho errático) e um pouco mais de tranquilidade na Câmara. O que ele perde? O pouco respeito que a população ainda tinha por ele e o esboço de dignidade que lhe restava.

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