Helvécio Cardoso: “Se Caiado for candidato a presidente, não terá votos no Rio de Janeiro. Afinal, por que os cariocas votariam em alguém que não gosta de samba?”

Para o polêmico e erudito jornalista Helvécio Cardoso, “o departamento de marketing do senador Ronaldo Caiado anda falhando”.

Helvécio Cardoso explica: Caiado está rodando o país para ganhar visibilidade, aparecer na mídia e se tornar mais conhecido, com o objetivo de vir a ser candidato a presidente da República pelo seu partido, o DEM. Foi por isso que, há poucos dias, o ruralista estava suando a camisa nos oito quilômetros da procissão em homenagem ao Senhor do Bonfim, em Salvador.

Ora, continua o jonalista, “nada daria mais visibilidade a Caiado do que aparecer na Marquês de Sapucaí por ocasião do desfile das escolas de Samba. Mas ele teve que implicar com o samba-enredo da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense porque não gostou do sambista ter imputado ao agronegócio o desmatamento da Amazônia. Os breganejos goianos Zesé de Camargo e Luciano serão destaques no Salgueiro este ano. Ótima oportunidade para badalar. Mas, depois da gafe, com que cara Ronaldo Caiado vai dar mais uma de bicão?”, pergunta.

Segundo Helvécio Cardoso, “Ronaldo tomou as dores dos desmatadores da Amazônia. Não precisava. Samba-enredo é o tipo de coisa que tem existência fugaz. Não dura um ano. Muitas vezes, já caiu no esquecimento mal a escola entra na Praça da Apoteose. Mas, ao profligar o samba da Salgueiro, acabou ajudando a escola a promovê-lo. Atiçou uma geral curiosidade sobre o dito samba. E se a Imperatriz ganhar a disputa – o que é plausível, pois se trata de grêmio carnavalesco do primeiro time -, aí então o tal samba poderá até virar o hino de uma revolução ecológica. E Caiado, se for candidato à presidência da República, não terá voto no Rio de Janeiro, que é um dos maiores colégios eleitorais do Brasil”.

Conclusão: “Por que o carioca votaria em quem não gosta de samba? Como cantou Caymmi, quem não gosta de samba é ruim da cabeça ou doente do pé. E bom sujeito não é!”.