Cadê o conteúdo, senador? Caiado mostrou em entrevista que é desinformado, diz Opção

O jornal Opção afirma que a entrevista do senador Ronaldo Caiado (DEM) ao Diário da Manhã na última quinta-feira revelou um político desinformado a respeito de assuntos relacionados ao meio político goiano. Opção diz, por exemplo, que Caiado se equivoca a dizer que a base aliada ao governador Marconi Perillo (PSDB) já tem um candidato a vice para 2018.

Abaixo, o texto na íntegra (assinado por Cézar Santos):

O senador Ronaldo Caiado, pré-candidato ao governo pelo DEM, tem um extenso currículo político. Natural que seja assim, por força de cinco mandatos na Câmara dos Deputados e, atualmente, no exercício do mandato de senador, que conquistou na eleição de 2014, quando teve uma disputa bem mais difícil do que imaginava com o ex-deputado Vilmar Rocha (PSD) e levou um “suadouro”.

Além dos cargos legislativos, Ronaldo Caiado disputou também cargos no Executivo. Primeiro, em 1989, concorreu à Presidência da República pelo PFL. Entusiasmado por certa notoriedade que angariara como um dos fundadores da União Democrática Ruralista (UDR), em meados da década de 1980, ele acabou amargando um fiasco retumbante: 0,72% dos votos, ficando em décimo lugar no pleito.

Em 1994 o líder ruralista concorreu ao Palácio das Esmeraldas, quando ficou em terceiro lugar, com 23,18% dos votos. O detalhe nessa disputa é que Caiado liderou praticamente todas as pesquisas, mas, nos momentos decisivos da campanha, perdeu força e nem chegou ao segundo turno – disputado entre Lúcia Vânia (PP) e Maguito Vilela (PMDB), que venceu.

O introito nos três parágrafos acima serve para reafirmar que vivência e exercício de cargos políticos inequivocamente sustentam o currículo de Ronaldo Caiado. Hoje, aos 67 anos, é um dos mais experientes políticos goianos em atividade. Por isso mesmo, causa surpresa quando se analisa com mais atenção a entrevista que o senador concedeu ao jornal Diário da Manhã, publicada na edição do dia 14 de agosto.

Em duas páginas do jornal standard, um espaço generosíssimo, o que se percebe é uma grande dificuldade de Ronaldo Caiado em expor o que de fato ele tem proporcionado a Goiás nestes mais de dois anos e meio como senador da República.

A vacuidade na fala do senador fica patente já na primeira pergunta (a entrevista é assinada pelos repórteres/editores Helton Lenine e Bia Mendes), em que ele tergiversa, enrola e responde pouco. Falta substância. Há uma tal mistura de temas que também pouco ajuda a apreender as informações – verdade que a confusa edição do extenso material não ajuda. Reproduz-se o trecho exatamente conforme editado e o leitor que faça sua avaliação:

Diário da Manhã – Dois anos e meio de presença no Senado Federal. Quais foram as principais iniciativas nesse período que o senhor conseguiu aprovação em favor da população de Goiás?

Ronaldo Caiado – Antes de especificamente para Goiás, quero fazer uma referência para população brasileira. Penso e quero aqui, nesta hora, parabenizar mais uma vez o entendimento da sociedade em ter ido pras ruas e ter se mobilizado para que nós tivéssemos o impeachment da presidente Dilma e que não chegamos hoje ao que chegou na Venezuela. Então, acredito que isso é algo que nós temos que reconhecer e que foi uma ação também que tivemos naquela comissão especial. Tivemos a coragem de mostrar as arbitrariedades que estavam sendo feitas com o País e utilização da máquina pública dentro de um projeto ideológico partidário bolivariano e que conseguimos interromper, isto é indiscutível. Foi um ganho enorme para democracia brasileira no todo.

Agora, vamos para o assunto específico para o nosso Estado de Goiás. Sabe o quanto que realmente o Sul e Sudeste tentaram impedir que sobrevivessem empresas de Goiás com incentivos fiscais? Tanto é que essa matéria ficou adormecida na Câmara dos Deputados mais de ano até o momento em que o Rio de Janeiro chegou para dizer que precisamos do Senado Federal. Hoje, para autorizar a ação de financiamento de repasse para sairmos dessa crise grave que estamos, ou seja, eu que sou o único parlamentar faço também aqui um reconhecimento de ideologia à minha colega senadora Lúcia Vânia. Nós dissemos, enquanto não tiver o acordo para que a Câmara dos Deputados libere, com a validação dos incentivos fiscais com matéria do Rio, não será votado. O mundo desabou de telefonema de todo lado, isso não tem problema, é a minha função aqui, defender o Estado e brigar por Goiás. Essa é a minha característica, claro, convalidando agora os incentivos fiscais que estão pelo menos reservados às indústrias que aqui estão trazendo tantos empregos e desenvolvimento para o nosso Estado. Agora, com tudo, na licitação do projeto de lei para licitarmos o trecho da Ferrovia Norte-Sul que atravessa o nosso Estado de Goiás de um extremo a outro. A proposta do governo foi um projeto de lei que realmente dava para que ele licitasse esse trajeto de Palmas até atravessar a fronteira de Goiás, chegando também até São Paulo, ele não teria direito de passagem. Foi um empenho violento nosso para que pudéssemos conseguir quebrar isso, alterar o projeto de lei e hoje sim temos direito de passagem.

Até os russos estão pensando em investir fortemente quando abrirmos a licitação da linha da Ferrovia Norte-Sul, que é uma matéria relevante em relação a especificamente a minha área da saúde, uma luta que venho me empenhando muito desde a minha época de deputado federal, que foi o repasse de 25% de uma emenda minha dos royalties de petróleo para saúde, especificamente, um avanço como fonte de financiamento de saúde. Na segurança pública acabo de apresentar um projeto para buscar especificamente o repasse de 2% de todo o volume bruto das loterias para os usos estaduais de segurança pública, não temos mais como sobreviver com essa escassez de verba ao mesmo tempo com essa dilapidação completa do sistema de segurança no nosso Estado de Goiás. O setor da agropecuária também é importante o realce dessa luta, que estamos fazendo agora contra o governo, que duramente golpeia o setor rural, gerando um fundo rural que estava durante vários anos sub judice com todas decisões desfavoráveis ao setor, pondo um débito de 2,3% da receita bruta. Enfim, são várias lutas que temos buscado, mais o desenvolvimento, além das emendas que são repassadas do apoio que estamos dando ao Ministério da Educação em relação ao ensino médio, que foi a grande mudança e a grande revolução feita na área educacional do País, realizada pelo ministro Mendonça Filho.

Desinformação

Em seguida, as perguntas giram em torno de temas nacionais e as respostas do senador denotam suas posições políticas e ideológicas, as quais ele tem todo o direito, como qualquer político. Mas no questionamento sobre o pleito do ano que vem, o senador dá um show de desinformações, como dizer que a base governista já tem nome para vice definido, o que não é verdade.

Por fim, quando os entrevistadores abordam a conhecida agressividade do senador, ele responde que não tem nada disso: “…Sou um homem educado, sou um bom pai de família, correto, trabalhador. Onde está essa briga minha, quando ela existe?… Agora, é interessante porque não tem nada a mais para dizer de Ronaldo Caiado e inventam essas coisas. Qual a pessoa que disse da agressividade?…”

Ora, senador, em outubro de 2015, em reunião da Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas, no Congresso, o senhor se irritou com o então ministro Eduardo Braga (PMDB-AM), xingou-o de “bandido” e “safado” e chamou-o para brigar. “Você é bandido, não respeito não, bandido safado, tá acobertando essa concessão da Celg (Centrais Elétricas de Goiás), isso é negociata. Safado”, acusou. Braga retrucou: “Olhe o decoro parlamentar, bandido é vossa excelência, me respeite”.

Em maio do ano passado, o senhor bateu boca com o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e o chamou para “brigar lá fora”. Em ambos os casos, as cenas foram registradas e estão disponíveis na internet.

São atitudes de quem se diz educado, pacífico e não agressivo?