Em entrevista ao Estadão, Marconi defende prévias no PSDB entre Alckmin e Doria

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o governador Marconi Perillo, apontado pelo repórter que assina a reportagem (Felipe Frazão) como favorito para assumir a presidência nacional do PSDB, defende a realização de prévias para escolha do candidato do partido à sucessão presidencial em 2018. No entanto, Marconi acredita que antes da eleição haverá convergência entre os dois pré-candidatos, que são o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito de São Paulo, João Doria.

Confira abaixo a íntegra da entrevista.

Estadão – João Doria sugeriu que pode deixar o PSDB para disputar a Presidência. Qual sua avaliação?
Marconi – Não acredito que o prefeito Doria deixe o partido e vou continuar trabalhando nossa unidade.

Qual deve ser o formato para a escolha do candidato do partido?
Prévias são um instrumento democrático de escolha. Elas devem ser mantidas, caso haja mais de um pré-candidato. Por mais que fiquem fissuras, é o instrumento mais legítimo e democrático que um partido pode ter. Mas não creio que haverá entre Geraldo e Doria.

Quem tem melhores condições de vencer, Alckmin ou Doria?
Não vejo em nenhum deles disposição para qualquer tipo de dissenso. Estou seguro de que haverá uma convergência entre eles e de que prevalecerá o bom senso, o compromisso maior com o projeto de vitória. O PSDB tem uma sequência histórica de consensos. Sempre tem alguma escaramuça antes, alguns nomes se colocam, mas ao fim e ao cabo prevalece o que tem melhores condições (de vencer a eleição).

O presidente interino, Tasso Jereissati, disse que ‘Alckmin é o primeiro da fila’. Doria, por ser mais novo, deve esperar na fila?
No momento certo essas coisas estarão resolvidas.

O candidato tucano deve adotar tom conciliador ou se opor frontalmente a Lula?
Defendo um misto das duas coisas. Nosso discurso tem que centrar fortemente no combate ao populismo, à demagogia, ao corporativismo e todos os ismos que atrasaram o Brasil e a América Latina. Mas também acho que o voto se dará baseado no equilíbrio, na experiência e na capacidade que o candidato terá de pacificar o País, convencer de que as reformas são boas para o povo. Não vejo espaço para que alguém da extrema direita ou extrema esquerda vença eleições no País ou nos Estados.

Qual deve ser a agenda do PSDB para 2018?
Uma agenda agressiva de reformas. É preciso diminuir o tamanho do Estado, tomar medidas duras com relação à Previdência, aprofundar as privatizações e acabar com a estabilidade do emprego no serviço público, exceto as carreiras de Estado, num primeiro momento. O que pode ser extirpado da burocracia federal? Precisamos de três senadores por Estado? Dessa quantidade de deputados?

Temer conseguirá tocar essas reformas?
O presidente faz um grande esforço para aprovar uma agenda de reformas, mas como o governo dele é de transição, um governo congressual, ele não tem a força que um presidente eleito pelo voto do povo terá para adotar essa agenda.

Então por que o PSDB não desembarca?
O PSDB não está no governo. Ele tem ministros e apoia as reformas. Os ministros vão continuar até quando quiserem, mas o partido tem compromisso só com os projetos que tenham a ver com os interesses da nação.

O senhor vai assumir a presidência do PSDB?
Eu transito entre todas as lideranças do partido, sempre fui solidário e correto com todos. Se o meu nome agregar, me coloco à disposição.

Se houver mais de um candidato, o senhor disputa?
Não. Meu lema é unidade.

Há uma preocupação no PSDB porque o senhor também foi delatado pela Odebrecht e denunciado no caso Delta, então traria de volta a suspeição que levou Aécio a se licenciar do partido…
Ninguém é obrigado a me querer como presidente, nem sou obrigado a ser se for para causar constrangimento. Não quero atrapalhar em nada e jamais forçaria a barra. As acusações são absolutamente defensáveis. Em relação à Delta, eu fui à CPI por nove horas e refutei todas as provas. Em relação à Odebrecht, é algo totalmente infundado. Falaram de caixa 2, e posso provar as contradições.

Como o senhor explica a insurgência dos deputados cabeças-pretas?
Um partido que não tivesse essa inquietude dos mais jovens seria como o silêncio dos cemitérios. Seria uma lástima um partido de velhos. A nova executiva terá de reservar espaços para as gerações mais novas.