Vergonha jornalística: caso João de Deus mostra que TV Anhanguera e O Popular perderam a capacidade de investigar

Nenhum furo, nenhuma informação relevante, nenhuma contribuição relevante para as investigações. O caso João de Deus, a história do líder espiritual que muito provavelmente encerrará seus dias na cadeia como um monstro, escancarou a completa falência da produção jornalística da TV Anhanguera e do jornal O Popular, os dois principais veículos de comunicação e com os profissionais mais bem pagos do mercado em Goiás.

TV Globo, o blog O Antagonista e os jornais O Globo e Folha de S.Paulo conduziram toda a cobertura e revelaram ao país e ao mundo as histórias macabras, revoltantes e comoventes das denúncias de abusos promovidos por João de Deus relatadas por vítimas vulneráveis, que procuravam apoio e cura no médium. Mostraram que os jornalistas que posam de maiorais da profissão não passam de subcelebridades de redes sociais e foquinhas jornalísticas. Uma vergonha.

Os veículos do combalido Grupo Jaime Câmara, que atravessou o 2018 sob as especulações de que seria vendido, sequer encontraram os processos de abusos que já tramitavam na Justiça antes da onda de casos que começou a partir do programa Conversa com Bial, da TV Globo. Muito provavelmente, se comportaram como os defensores do médium, não acreditaram nos relatos de assédio e abuso e fecharam os olhos e os ouvidos para os dramas das vítimas.
Agora, quando João de Deus se entregou o furo, como se fala no jargão jornalístico, foi de Mônica Bergamo, profissional que atua na Folha de S. Paulo.

Bem debaixo dos narizes empinados das estrelas locais do Grupo Jaime Câmara.