30 dias de Caiado (1): “Governo está perdido, sem foco e sem visão de futuro”, afirma Cileide Alves

Apresentadora e comentarista da rádio Sagres 730, a jornalista Cileide Alves afirmou nesta sexta-feira (9/2), em sua análise semanal da cena política de Goiás ao lado do colega de bancada Rubens Salomão, que a coletiva feita pelo governador Ronaldo Caiado (DEM) para apresentar o balanço dos primeiros 30 dias de mandato confirmou que a gestão está “perdida, sem foco e sem visão de futuro”.

Cileide relembrou que Caiado começou a apresentação repetindo o mantra de terra arrasada da campanha eleitoral: “Sabe qual foi o primeiro slide do power point do govenador? Os 11 milhões em caixa no dia 1.º de janeiro, o déficit, a dívida, o atraso na Bolsa Universitária, enfim números que todos nós já conhecemos desde a campanha eleitoral”, ironizou.

“Está faltando visão estratégica ao governo. Se Caiado quiser apresentar uma boa avaliação de seus 100 dias de governo, provavelmente seu próprio balanço, mais do que tocar a máquina administrativa ele vai ter que sentar internamente com seus auxiliares e pensar no que vai fazer”, disse Cileide.

“A impressão que se tem é a de que o governo Caiado gastou seus primeiros 30 dias tentando entender como funciona a máquina pública e perdendo tempo com coisas como a decretação do Regime de Recuperção Fiscal (RRF), que não deu certo”, afirmou ela.

Cileide disse que Caiado corre agora o risco de entrar em outra batalha perdida na largada: a obtenção da autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para reduzir jornadas e salários dos servidores. “A partir da discussão sobre a adesão ao RRF, já vimos que pelas regras atuais, o governo não vai conseguir fazer essa adequação, mesmo que o Supremo dê essa autorização para os Estados”, prevê a jornalista.

Isso porque, pelas regras atuais, o Estado retira do cálculo com pessoal parte dos gastos com a Previdência e o pagamento do Imposto de Renda. Com essa regra, o gasto com pessoal está abaixo do teto e, portanto, não poderá haver redução de jornada e salários. O governo precisa definir o que quer: vai mudar a regra de cálculo da folha para cortar salários ou não?”, questionou Cileide.