Governo caiadocrata chega aos 90 dias de gestão sem dizer a que veio e faz o pior início de gestão da história de Goiás

O governador Ronaldo Caiado (DEM) alcança os primeiros três meses de gestão sem norte e enredado em crises que parecem não ter fim, como o não pagamento do salário de dezembro dos servidores públicos, o festival de buracos que tomou conta das rodovias goianas e a institucionalização do nepotismo desvairado nos diversos escalões estaduais.

A crônica de fiascos de Caiado no governo de Goiás é extensa e já pode ser sentida na queda vertiginosa de popularidade nos levantamentos de opinião pública.

A ladainha da terra arrasada, o absurdo atraso do salário de dezembro do funcionalismo e a insegurança fiscal gerada na cruzada contra os incentivos fiscais se constituíram nas principais realizações até agora do governo caiadocrata. As informações de economia devastada foram lançadas por Caiado à moda das fake news. Com isso, ele afugentou novos investimentos no Estado,  atraiu a ira dos servidores e tornou-se inimigo número um dos empresários.

Neste três meses, Caiado pouco despachou no gabinete dele e se aferrou à rotina de reunões com auxiliares. Ele passou a maior do tempo batendo pernas em Brasília, especialmente no Congresso Nacional, o que talvez manifeste em ato falho a vocação parlamentar e o parco tino de gestor publico.

Outro ponto negativo da gestão caiadocrata: a falta de planejamento e a paralisia da máquina administrativa, que podem ser sintetizadas com a inanição da Goinfra, ex-Agetop, incapaz de fazer face minimamente à buraqueira que provoca acidentes fatais e torna intransitável a malha rodoviária de Goiás.

O discurso de mudança e austeridade de Caiado ao longo da campanha eleitoral também caiu por terra: ele se revelou um governante desenxabido,  despreparado, sem projetos e, pior ainda, apegado à práticas atrasadas, como o nepotismo, nomeando em profusão dezenas de familiares para cargos importantes do estado. As nomeações mais escandalosas foram as dos dois primos bisonhos –  Ênio e Aderbal Caiado – para o comando da Goinfra.

Enquanto isso persegue servidores públicos.

A primeira-dama Gracinha e a primeira-filha Anna Vitória montaram um governo paralelo e, à exemplo dos filhos desastrados  presidente Jair Bolsonaro, interferem nas decisões de estado e passam a impressão que mandam mais que o próprio governador.

A equipe de governo também surpreendeu negativamente: Caiado dispensou sugestão dos aliados, desprezou os talentos de Goiás e arregimentou uma legião estrangeira sem brilho para seu secretariado, cujo rendimento nas respectivas pastas deixa muito a desejar, como são os casos da secretária de Economia, Cristiane Schmidt, do secretário de Segurança Pública, Rodney Miranda e da secretária da Educação, Fátima Gavioli.

Outro ponto fraco de Caiado foi a falta articulação política, cujo prejuízo maior foi a derrota na disputa pela presidência da Assembleia Legislativa. Sem base política na Casa, com eleição a contragosto de Lissauer Vieira e a derrubada de vetos no plenário da Casa, o sinal vermelho se acendeu: o governador não hesitou em renegar o discurso de campanha e abrir o balcão de conchavos políticos no Palácio das Esmeraldas, trocando apoio de deputados por diretorias e cotas de cargos comissionados.

Ao completar 90 dias de governo, Caiado não tem o que comemorar: faz o pior início de governo da história recente de Goiás.